*A Estética e a Produção no Capital; Por villorblue

O capital demorou 500 anos e entendeu.

Não adianta fazer produtos duráveis (eles demoravam muito a ser substituidos).

Não adianta fazer mercadorias com qualidade funcional ( nas crises, as massas consumidoras procuravam por preço).

Não adiantava trabalhar e investir muito nas marcas (a China entrou na era da economia de mercado e começou a produzir produtos dezenas de vezes mais baratos).

Hoje a grande propaganda internacional a serviço do capital é direcionada a invalidar o pensamento que temos sobre um bem durável (ou não durável).

A tal ponto que: odiamos um produto comprado a alguns meses, apenas por chegar um mesmo modelo no mercado com um novo encapsolamento.

Esta é a nova estética acompanhada de toda a estratégia para o consumo.

E no fim, descobre-se que o produto de consumo comprado a um ano atrás, faz a mesma coisa que um lançado recentemente.

E consumimos cada vez mais, agora inconscientemente, alucinadamente.

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Leia mais:

A estétida do capital e o mundo das coisas

A estética do capital

O capitalísmo contemporâneo e as mudanças no mundo do consumo

 

 

 

*O “TTIP” Morreu ? Foi Substituido Pelo “TISA” – Concatenado por villorblue

TTIP não morreu ? Foi substituido pelo globalizante (o TTIP era mais especifico ao Pacífico) TiSA (Trade in Services Agreement), mais globalizante, mais abarcador, mais terrível:

Os serviços representam três quartos do PIB dos EUA e 4 dos 5 empregos nos Estados Unidos. Graças ao nosso mercado interno vibrante e aberto, os Estados Unidos são altamente competitivos no comércio de serviços, rotineiramente registrando um superávit da ordem de US $ 200 bilhões por ano. Com cada US $ 1 bilhão em exportações de serviços dos EUA apoiando um número estimado de 7.300 empregos, a expansão do comércio de serviços a nível mundial desbloqueará novas oportunidades para os americanos. Leia na íntegrahttps://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&sl=en&u=https://ustr.gov/TiSA&prev=search

O TISA, Acordo sobre Comércio de Serviços, envolve, entre outros os EUA, Canadá, Chile, Colômbia, Peru, México, Costa Rica, Panamá, Austrália, Coreia do Sul, Hong Kong, Israel, Japão, e toda a União Europeia. Uruguai e Paraguai, inicialmente participantes, retiraram-se do acordo ao sofrerem resistência interna ao seu conteúdo.

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(Foto: No Uruguai também tem luta contra o TiSA)

Além das propostas similares ao TPP, o TISA ainda acrescenta cláusulas inovadoras, como a chamada cláusula trinquete, que proíbe que um serviço privatizado volte a ser estatal, ainda que não funcione. O TISA ainda determina que qualquer nova lei que, direta ou indiretamente afete os interesses das empresas, sejam analisadas pelas mesmas para conferir se a lei é adequada ou se deve propor alterações na mesma.

Garante ainda que as regras acordadas valem para os atuais serviços existentes e outros ainda a serem descobertos ou desenvolvidos no futuro. O TISA vem sendo negociado de maneira absolutamente secreta e o que se sabe é através de vazamentos pelo WikiLeaks. Prevê-se incrivelmente sua divulgação apenas 5 anos após sua assinatura. Com texto já avançado, vários governos, em particular EUA, apontam para uma possível conclusão agora ao final desse ano.

José Serra defende abertamente a aproximação do Brasil com esses tratados. O também interino Marcos Pereira, ministro do Desenvolvimento, da Indústria e Comércio Exterior, anunciou em junho a empresários que o Brasil aproximar-se-á da TISA.

Esses tratados são amplamente condenados pelas organizações da sociedade civil de todas as nações envolvidas, em função dos enormes malefícios que trarão. Suas propostas, sempre negociadas sem transparência nenhuma, limitam drasticamente a capacidade dos Estados de adotarem políticas, quebrando a soberania nacional, servindo apenas às empresas. Jamais um governo interino poderia anunciar mudanças tão significativas.

Outro acordo comercial em discussão a se considerar é o acordo União Europeia (Leia: CETA / Mercosul ). Iniciado seu debate no ano 2000, em 2004 o acordo sofreu um impasse em função do desequilíbrio das propostas da UE, – nas quais a desigualdade no trato comercial entre os dois blocos de países era inaceitável aos governos progressistas do Mercosul de então.

Hoje segue parado, aguardando a nova proposta da UE para sua evolução. Após criticar a paralisia na negociação sugerindo que a culpa era dos países do Mercosul por defender interesses nacionais, o ministro Serra, em sua desastrosa viagem à Europa, corrigiu-se comentando que na verdade a paralisia vinha dos europeus.

Esse possível acordo preocupa e muito. Embora seu conteúdo esteja em debate, ele não poderá se diferenciar na essência dos acordos já firmados pela UE, em particular os recentes tratados entre UE e Colômbia, Peru e Equador, o que nos dá uma mostra do que vem por aí.

A União Europeia seguirá demandando uma agressiva abertura de mercados do seu interesse, principalmente no setor serviços, ao mesmo tempo em que mantém os subsídios locais para a agricultura e pecuária, o que distorce internacionalmente os preços desses produtos.

Já muito comentou-se que uma vaca europeia ganha muito mais apoio financeiro estatal que uma criança latino-americana. E produtos agrícolas de nosso continente, ou da África, que poderiam chegar ao mercado europeu por um preço competitivo, chegam muito menos em função dessa distorção de preços. Nesse ponto, que é crucial para uma proposta equilibrada, há pouco avanço nas ofertas comerciais daquele continente.

Ainda que difícil, a integração imediata do Brasil em qualquer desses acordos, no TISA em função do estágio avançado das negociações, no TPP pela impossibilidade óbvia de participar de um acordo do Pacífico, bem como a União Europeia, em função da ausência de proposta deles, o que deve se complicar mais com seus problemas internos agravados com a recente saída do Reino Unido, o que disse José Serra, embora hoje soe como mais uma fanfarronice, nos preocupa.

Barack Obama vem falando e recentemente o secretário-geral da OMC, Roberto Azevêdo, confirmou: esses novos tratados, TISA e TPP, juntos com TTIP e CETA, uma vez decididos e implantados, trarão uma nova base para a negociação na OMC e seus princípios orientarão os novos acordos multilaterais.

Aí mora o verdadeiro risco. Trazidos à OMC após acordados quase sem resistências, entre países alinhados com EUA, esses tratados de nova geração buscarão criar uma política de fato consumado e impor um patamar novo aos acordos globais.

O Brasil, que tem bravamente nos últimos anos lutado na OMC e em outros fóruns por acordos mais equilibrados, e liderado blocos com países que adotam igualmente políticas contra-hegemônicas, deverá, caso persista o golpismo, perder seu protagonismo e passar a ser mais um “cordeiro” frente aos interesses das empresas transnacionais. Será como deixar de ser um verdadeiro ator global e passar a ser novamente um mero coadjuvante submisso no jogo internacional.

A imensa concentração de renda, onde estudos mostram que 1% da população já possui 50% da renda mundial, agradece. Esse é o verdadeiro resultado da captura dos espaços de governança mundial pelas ETNs através de seus governos aliados ou subalternos.

Nos resta lutar, resistir para que o interino seja realmente interino e que projetos derrotados em eleições democráticas não venham a impor-se no presente e no futuro. Leia maishttp://brasilnomundo.org.br/analises-e-opiniao/o-brasil-e-os-tratados-plurilaterais-os-riscos-presentes/#.WJ76C0Ntkcc

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Leia mais:

https://systemicdisorder.wordpress.com

https://wikileaks.org/tisa/

http://www.suapesquisa.com/economia/tisa.htm

http://brasilnomundo.org.br/tag/tisa/

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Publicado originalmente em: http://jornalggn.com.br/blog/alfeu/brasil-e-um-dos-principais-compradores-de-tecnologia-e-treinamento-militar-israelense

Especialistas acreditam que genocídio da população palestina é “laboratório” da exportação militar de Israel

Enviado por Alfeu do Brasil de Fato

Brasil é um dos principais compradores de tecnologia e treinamento militar israelense

 

Por Júlia Dolce, do Brasil de Fato, e Victor Labaki, da Revista Fórum

Uma placa metálica com a foto de um menino magro decora a entrada do campo de refugiados de Aida, em Belém (Cisjordânia). Um texto curto explica, em inglês e árabe, que o garoto franzino era Aboud Shadi, apelido de Abed Al-Rahman Shadi Obeidallah. Ele foi assassinado por um soldado israelense no dia 15 de outubro de 2015, exatamente naquele local, quando tinha 13 anos. Aboud Shadi conversava com amigos.

Segundo os relatos de várias testemunhas, Abud estava parado quando o sniper [atirador de elite] atirou, de frente ao muro que divide os territórios anexados israelenses de Belém, atingindo o garoto no coração. Ele foi levado ao hospital, mas não resistiu. Sem razão aparente para a ação, as forças militares israelenses confirmaram que o assassinato “foi um erro”, e o soldado responsável permanece impune. Na placa em homenagem a Aboud, lê-se: “Minha alma continuará aqui, perseguindo o assassino e motivando meus colegas de classe. Eu me pergunto quando a comunidade internacional trará justiça para as crianças palestinas”.

Com olhos marejados e voz baixa, Shadi Obeidallah, pai de Aboud, contou para a reportagem que todos os dias passa em frente à placa, já danificada com buracos de outros tiros. “Parece que ele está me perguntando o porquê de eu não ter o protegido da ocupação, porquê deixei ele ser morto”, disse.

A presença de Aboud é constante na vida do pai. “Eu penso nele o tempo todo. Colocamos um prato e talheres para ele na hora do almoço. Todos os dias eu volto para casa do trabalho, faço café e converso com a foto dele em um porta-retrato. É minha hora preferida do dia”, disse.

No ano passado, Shadi encontrou com o então secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-Moon, na cidade palestina de Ramallah, e perguntou o que poderia fazer pelas crianças palestinas assassinadas. “Ele não me respondeu”, disse. Logo em seguida, ele encerrou a entrevista: “Não é fácil falar sobre isso”.

O que Shadi provavelmente não sabe, entretanto, é que, uma semana antes do assassinato do filho, o Comitê sobre os Direitos da Criança da ONU divulgou relatório acusando a Polícia Militar brasileira de matar crianças em situação de rua com o objetivo de “limpar a cidade” para os Jogos Olímpicos de 2016. Em julho do mesmo ano, a Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) publicou relatório mostrando que 28 pessoas menores de 19 anos foram mortas diariamente no Brasil, uma taxa maior do que em zonas de guerra, de acordo com a agência.

O laboratório

A conexão entre os dados e a morte de Aboud Shadi seria apenas uma coincidência, se não fosse o fato de que tanto o treinamento quanto a renovação bélica da Polícia Militar e do Exército brasileiro para os megaeventos esportivos entre 2014 e 2016 foram importados das Forças Armadas israelenses.

Segundo especialistas no tema, o Brasil é um dos maiores clientes da indústria de armamentos de Israel. Matéria publicada na Folha de S. Paulo em janeiro deste ano mostra que o Exército Brasileiro fechou acordo de R$ 6,3 bilhões com empresas israelenses para compra de blindados nos próximos anos. Uma das fornecedoras – a empresa Elbit – é acusada de ter construído drones que mataram 164 crianças palestinas em Gaza, durante a ofensiva de 2014. Os dados são da ONG Defense for Children International Palestine (DCI).

De acordo com informações fornecidas à reportagem pela organização Who Profits, centro de pesquisa dedicado à monitoração das relações comerciais envolvendo multinacionais israelenses, a Elbit foi uma das primeiras companhias israelenses a entrar no mercado de vigilância brasileiro. A organização destacou outras empresas que também operam no Brasil, como a Afcon Holdings, que desenvolve sistemas de controle presentes nos checkpoints da Cisjordânia; a Carmor, especializada em veículos militares; e a Contact International, também produtora de equipamentos militares.

Segundo o antropólogo e escritor israelense Jeff Halper, as relações econômicas e bélicas entre Brasil e Israel são muito significativas. “O Brasil é um grande cliente. (…) O principal ponto da indústria militar israelense é que ela não fica apenas no militar, atua na segurança e no policiamento. No Rio de Janeiro e em outras cidades onde você tem policiais de pacificação em favelas, eles são treinados por israelenses e com armas israelenses.

Para Halper, que já foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz pela atuação “em prol da libertação dos palestinos”, a importância que o Estado de Israel assumiu no contexto internacional está relacionada justamente à exportação de inteligência militar. “Israel está em todos os países, não apenas diretamente no sentido militar, mas em termos de treinamento, exportação de armas, unidades de operação especial, segurança presidencial. Está mais dentro das sociedades do que os Estados Unidos, exatamente porque eles ficam nos termos militares e nós vamos para a segurança, a polícia, as prisões”, explicou.

Na opinião do escritor, é exatamente esse papel internacional que livra o país de condenações na Justiça. “Dessa forma, Israel escapa do fato de fazer uma ocupação há 50 anos, de estar realizando crimes de guerras, dezenas de violações da lei internacional da ONU. Mesmo com tudo isso o status internacional de Israel é positivo. A única explicação para isso é a política de segurança de Israel, um país minúsculo que transforma segurança militar e policial em poder político. (…) Em um país como o Brasil, com todas as desigualdades, Israel vai dar todo o sistema de segurança e vigilância para controlar a população. Esse controle populacional é o que fazemos há 70 anos. Somos um laboratório, controlamos palestinos e isso é o que nos diferencia no mercado: milhões de palestinos indo para os checkpoints diariamente”, analisou.

A expressão “laboratório” é utilizada por diversos ativistas para descrever a relação militar de Israel com os territórios ocupados palestinos. O documentário “The Lab”, do diretor Yotam Feldman, explora exatamente essa relação e importância para a legitimidade da indústria bélica israelense. No filme, o Brasil é novamente citado como um grande parceiro comercial de Israel, e algumas cenas mostram tanques e armas israelenses sendo utilizadas em operações no Complexo do Alemão, Rio de Janeiro, favela que é popularmente conhecida como a “Faixa de Gaza” carioca.

A ativista israelense e estudante de pedagogia Sahar Vardi é uma liderança no movimento contra a militarização e ocupação de Israel na Palestina. Presa por dois meses durante processo de ‘recusa’ ao serviço militar obrigatório, Sahar acredita que a utilização da tecnologia militar nos palestinos é “definitivamente o diferencial no mercado”. “Nós exportamos para mais de 130 países, não há dúvida de que a exportação da militarização de Israel é um fenômeno mundial. A ocupação não é uma necessidade para a indústria militar, nem vice-versa, já que essa indústria começou nos anos 1970 e já havia ocupação antes disso. Mas sem dúvida há um interesse econômico da indústria em manter a ocupação”.

Segundo Sahar, em 2013, o governo brasileiro destinou 1,13% do Produto Interno Bruto (PIB) do país para “modernizar as forças armadas com equipamentos israelenses”. Ela destaca a companhia israelense International Security & Defense Systems (ISDS), que faz treinamentos para as polícias brasileiras em favelas. No site da companhia, já na página inicial, consta o slogan de “fornecedora oficial dos jogos olímpicos Rio 2016”. No final da página, a conexão com Israel é abertamente marcada. “A ISDS é uma empresa registrada e certificada pelo Ministro de Defesa de Israel e opera de acordo com suas regulações e diretrizes”.

Militarização

No mirante que marca a saída do museu do Holocausto Yad Vashem, em Jerusalém, Yahav Zohar, ex-guia do museu, aponta para a vista de um assentamento israelense. Ele explica, em voz baixa, que antigamente havia uma vila palestina no local, destruída durante a Nakba em 1948 (nome palestino para o processo de construção do Estado de Israel, que significa “catástrofe”). Repleto de imagens fortes sobre as consequências do nazismo, a proposta do museu – exemplificada até mesmo na arquitetura – é celebrar a conquista de Israel como uma espécie de redenção para os judeus.

Yahav, que serviu o exército como a maior parte da população judia de Israel, pediu demissão do emprego no museu por não poder compartilhar as críticas que tem sobre a ocupação israelense na Palestina. Pelo mesmo motivo, um amigo dele, que também era guia, foi demitido. Entre diversos grupos de soldados que visitavam o museu como parte obrigatória do serviço, Yahav mantinha um tom de voz discreto e parecia afastar memórias ruins.

“Há similaridades entre o holocausto e o que estamos fazendo aqui com palestinos. O problema é que acreditamos que essa foi a única tragédia da humanidade, quando não foi mais importante ou horrível do que a escravidão em toda a América, por exemplo. Nós temos que parar de acreditar que estamos em perigo o tempo todo. Se você se esforça tanto para lembrar uma parte da história quanto para suprimir outra parte, você perde seu argumento”, opinou.

Educação

A visita ao Museu Yad Vashem é realizada pelo menos três vezes durante a vida dos israelenses. Além da ida pelo Exército, as escolas de Israel levam estudantes quando crianças e durante o ensino médio. Para Nurit Peled, professora da Universidade Hebraica de Jerusalém, ativista e estudiosa da forma como os palestinos são retratados no sistema educacional israelense, a educação militar é uma das principais facetas do sionismo atual. “Eles têm processos de segurança na escola a partir dos três anos, os soldados vão para os jardins de infância e contam para as crianças todo o tipo de informações. Eles são modelos, a maior aspiração de todo jovem é ser soldado, seja ele de direita ou de esquerda. O maior desejo dos pais é que os filhos sejam soldados. Eles foram doutrinados da mesma forma”, explica.

Alguns feriados israelenses, para ela, também mostram como a militarização é cultuada na sociedade. “Eles aprendem muito sobre o Dia de Independência, o Dia em Homenagem aos Soldados e o Dia do Holocausto. Celebram os assassinatos de árabes. É tudo relativo à morte. A imagem que a militarização vai nos salvar de um outro holocausto é muito forte. É bastante difícil para um jovem se rebelar contra isso, os números de pessoas que recusam o exército, por exemplo, são praticamente inexistentes”.

Pixação sugerindo matar árabes em câmaras de gás, feita em frente à escola infantil palestina, em Hebron.

A história da recusa de Sahar ao serviço obrigatório, mesmo para ela própria, é uma exceção. “Cada um de nós [amigos que também recusaram o alistamento] foi aprisionado por cerca de uma semana ou um mês. Depois fomos mandados novamente para a base militar para continuar nosso ‘serviço’. Então recusamos de novo e fomos condenados novamente. Esse processo se repetiu algumas vezes. É um processo muito difícil, algumas vezes eu me pegava pensando porque estava fazendo aquilo. O efeito psicológico das prisões é muito grande”, explicou.

Para a ativista, a militarização na sociedade israelense influencia diversos aspectos sociais. “Parte disso é o fato de carregarmos armas o tempo inteiro para todos os lugares, já que os soldados podem levar as armas para casa nos finais de semana, levar para festas e transportes públicos. Mas vai além disso. Nós incorporamos parte da linguagem militar na nossa comunicação diária e nem pensamos nisso, é completamente internalizado. A forma como estudamos história é muito centrada no nacionalismo e nas Forças Armadas. Nas propagandas e comerciais, há sempre soldados, pois eles são idealizados, são o modelo. A militarização e o medo estão realmente em todos os aspectos da sociedade”.

Na opinião do colono israelense-estadunidense Bob Lang, representante do assentamento de Efrat e defensor da ocupação militar da Palestina, os israelenses não vivem em constante medo. “Para mim, a militarização é normal. É natural ver soldados com armas na rua e que as crianças sejam revistadas nas escolas, não é bom ou ruim, é só o jeito como as coisas são. Obviamente, eu gostaria que as Forças Armadas não precisassem existir e espero o dia em que isso aconteça. (…) Eu não vivo com medo aqui, não mais. Tenho mais medo da minha filha viajando pela América do Sul do que servindo ao Exército em Israel”, afirmou.

O mesmo não pode ser dito por Shadi Obeidallah, pai de Aboud. Perguntado sobre os sonhos e gostos do filho, afirmou: “Ele sonhava, como qualquer outro palestino da idade dele, em brincar em segurança. Passou toda a vida no campo de Aida, mas os soldados não o deixavam brincar. Se viam as crianças brincando, jogavam gás lacrimogêneo e atiravam com balas de borracha. Como qualquer menino, ele só queria brincar sem estar em perigo”.

Fotos: Júlia Dolce/Brasil de Fato

https://www.brasildefato.com.br/2017/02/03/brasil-e-um-dos-principais-compradores-de-tecnologia-e-treinamento-militar-israelense/

*Os Anarquistas e o Processo Social em Rojava

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O movimento anarquista ativo na revolução em Rojava.O movimento anarquista ativo na revolução em Rojava.

Uma Introdução, por Bruno Lima Rocha: Desde que começou o cerco à Kobanê tenho dedicado várias horas por semana a entender e divulgar o máximo possível sobre essa revolução social iniciada numa combinação de Confederalismo Democrático e a Guerra Civil Síria. Enquanto militante, eu sempre estive envolvido com solidariedade internacional. Enquanto descendente árabe, eu sempre tentei procurar uma força de esquerda que combinasse ação direta e democracia interna. Enquanto acadêmico e professor de Geopolítica estudando a região por mais de 25 anos, Rojava é um sonho que se tornou realidade. Aqui eu começo a primeira de algumas entrevistas com organizações com real experiência nesse processo e na região. Nesta estou conversando com um militante do Devrimci Anarşist Faaliyet (DAF, ou Ação Revolucionária Anarquista). Eles têm sido bem ativos nessa ação e entendem em detalhes todo o processo Curdo, tanto em Rojava quanto no interior das fronteiras do Estado Turco.

É possível entender o PKK (Partiya Karkerên Kurdistani, Partido Popular do Curdistão) como uma força político-militar remodelada pelo pensamento de seu líder histórico (e sentenciado a prisão perpétua) sendo transferida organicamente para toda a organização? Ainda, temos duas perguntas em sequência: Você pode imaginar a reprodução dessas ideias além de um culto à personalidade ao redor da imagem de Abdullah Ocalan (Apo)? E, seria possível universalizar as propostas do PKK-KCK (Koma Civakên Kurdistan, Grupo de Comunidades do Curdistão) além dos assuntos nacionais dos Curdos que ainda não foram resolvidos?

Nós temos de ver o assunto enquanto Movimento de Liberdade Curda. O PKK é uma organização do povo Curdo que vem lutando não apenas por 30 anos, mas centenas de anos. Especialmente após os anos 2000 o partido mudou sua ideologia, estratégia e característica. Assim, os críticos do movimento tem mesmo o mesmo vício de tomar o PKK como sendo o mesmo partido das décadas de 80 e 90. Apenas para lembrar, o PKK clamou pela liberdade não apenas para o povo Curdo, mas pela liberdade para todos os povos oprimidos no Oriente Médio. Pense sobre Rojava, PYD (Democratic Union Party, in Kurdish: Partiya Yekîtiya Demokrat), tem lutado não apenas pelos Curdos, mas pelos Ezidis, Turcomanos, Xiitas, Alauítas os quais o Daesh (ISIS, ISIL, EI, Estado Islâmico) quer destruir.

É observável um problema estratégico para a revolução de Rojava. Eu explico: a fronteira viva e aquela que é possível ser usada como santuário está com o KRG (Governo Regional Curdo no Iraque), mesmo o epicentro da guerra estando em Kobanê. É observável que se não houver reforços dos peshmerges (forças profissionais do KRG), provavelmente a coalizão anti-ISIS liderada pelos EUA não bombardeará a posição dos jihadistas. Logo, a aliança entre PKK-PYD e o KDP (Partido Democrático do Curdistão, Partîya Demokrata Kurdistanê, ou PDK) e sua coalizão com Massoud Barzani a frente do gabinete do KRG poderia implicar numa inevitável aproximação com o Ocidente? É possível sobreviver enquanto processo revolucionário dependendo militarmente e fisicamente do KRG e do Ocidente?

Temos que ver o papel dos peshmerges. Faz quase um mês e meio que eles não fazem nada por Rojava. Quando o YPG (Unidades de Proteção Popular, em Curdo: Yekîeyên Parastina Gel) e YPJ (Unidades de Proteção das Mulheres, em curdo: Yekîeyên Parastina Jinê), as organizações de auto-defesa do povo de Rojava tomou o controle de 60% de Kobanê, as forças de Barzani decidiram vir ajudar. É óbvio que essa foi uma ação estratégica de Barzani. Barzani declarou que como se não houvesse a Revolução de Rojava dois anos antes e temos que ver isso, EUA e outros países ocidentais não apoiam a resistência de Kobanê. Após a Revolução de Rojava não aceitaram a existência política do PYD ou dos cantões de Rojava. Assim, a melhor solução para eles é Barzani que não tem problemas com política capitalistas ou estatistas. Ainda, o KDP de Barzani é o partido irmão do AKP de Recep Erdogan (Partido do Desenvolvimento e Justiça, em turco: Adalet ve Kalkinma Partisi). Nestas circunstâncias, o povo em Rojava precisa de qualquer tipo de apoio. Isto não significa que ele pode receber ajuda de qualquer poder capitalista e estatista. Mas é como o YPG-YPJ lutando contra o EI, a Frente Al-Nusrat (uma afiliada do grupo Al-Qaeda)…, mas também lutando estrategicamente contra a Turquia, a Síria de Esad (Bashir Al Assad), o Curdistão de Barzani e todos os poderes capitalistas.

Ainda, em termos de estratégia, ao que tudo indica, o governo da Turquia tem favorecido as linhas de suprimentos deixando o EI se fortalecer dentro do território sob controle do exército turco. Aparentemente, isto é causado pelo cálculo realista de Ankara e o governo do AKP, considerando ser menos perigosa uma proposta de “califado” – ou o retorno do Ummah – comparado à ideia do separatismo Curdo, ou mesmo autonomia política de Rojava dentro do fracassado Estado da Síria? Pela posição turca, como avaliar a disputa entre os outros Estados operando através de sunitas jihadista, como Arábia Saudita e Qatar?

Na mídia hegemônica, é difícil achar notícias sobre o apoio Turco ao Estado islâmico. Não é apenas apoio por armamentos, ou sua posição neutra. Como você declarou, existe uma óbvia logística de apoio de países sunitas ao EI, mas o aquilo que nunca podemos esquecer são as relações escondidas entre o EI e poderes capitalistas ocidentais. A cena é clara de que um grupo terrorista islâmico tem fortalecido a mão dos EUA, especialmente no Oriente Médio.

Entrando no assunto da guerra civil Síria, o que pode ser visto hoje é uma guerra crescente entre Sunitas e Xiitas, e junto disto, entre o EI (e antes a Frente Al-Nusra) e a tentiva de conquista de Kobanê. Considerando essa realidade, qual seria o papel do Exército Livre da Síria hoje (FSA)? Esta força ainda possui algum poder de proteção – como o Qatar – ou caiu para uma condição de aliado secundário do YPG? Nós podemos considerar o Qatar o maior patrocinador do FSA? E, talvez esta seja a razão, ao passo que ambos o FSA e o YPG são contrários ao regime de Assad, Damascus e seus aliados (financiadores) preferiram liberar a área de Aleppo e Raqqa para operações do EI, permitindo que os sunitas jihadistas avançassem sobre Rojava?

Como declaramos antes, algumas das ações estratégicas contra o EI com o FSA não representam a real visão política do PYD. Então, este tipo de cooperação é o resultado das circunstâncias na Síria e em Rojava. A cooperação entre as organizações e grupos não deveria ser tomada como resultados das reais políticas das organizações e grupos. A guerra em Rojava, ainda mais continua na Síria, então é difícil para nós determinar os aliados. Esta longe da solidariedade dos revolucionários pela Resistência de Kobanê e pela Revolução de Rojava.

Eu entendo, mesmo de um relance à distância, que para os Estados da Turquia, Síria (o que restou dela) e do Irã, um Curdistão a oeste com autonomia política e uma sociedade trabalhando sobre bases igualitária e secular implica num problema insolúvel. Não seria a proposta do PYD não separar-se formalmente da Síria, mas obter o status de uma Federação política autônoma na Síria, assim como um futuro reajuste com o Iraque e com o governo de Irbil (Capital do KRG)? A Turquia toleraria tal estatuto, mesmo possuindo o segundo maior exército da OTAN e o de maior contingente num Estado de grande população islâmica? Se o Curdistão Turco recebe tal status, o que preveniria uma Confederação com o Curdistão Sírio? E, dessa forma, qual seria a reação do KRG e da coalizão de direita e partidos Curdos pró-Ocidente, como o KDP?

Estes cenários estão sendo discutindo ao passo que a guerra na Síria acabou. É difícil estimar como essas guerras irão modelar o Oriente Médio. Rojava declarou a liberdade de seus três cantões há 2 anos e meio atrás sem se importar com qual seriam as reações de Esad (Bashir al Assad), Erdogan ou Barzani. Todos os três declararam que não reconheciam o auto-governo dos cantões de Rojava. Ainda, eles insistem em não falar sobre a existência política de Rojava. Camarada, nós precisamos ver que durante estes dois anos os Estados em torno de Rojava mudaram suas políticas em suas regiões com a decisiva luta do povo livre de Rojava. Eles tentam encontrar meios de controlar a liberdade de Rojava. O cenário principal é de que Rojava será uma federação parte da Síria de Esad. Mas de qual Síria estamos falando, qual será o poder de Esad na Síria ou se haverá um Esad para liderar a Síria? O segundo cenário é de que Rojava fará parte do Curdistão de Barzani. O que seria o objetivo de Barzani, mas os princípios que sustentam Kobanê contra o EI não só assustam o EI como também Barzani. Porque a Revolução de Rojava se autodeclarou uma revolução centrada no anticapitalismo, no antiestatismo, nas mulheres e no meio ambiente.

Ler na íntegra: http://www.semanaon.com.br/coluna/10/2018/os-anarquistas-e-o-processo-social-em-rojava

*Colombia – Gloria Gaitán: A Historia se Repete ?

Extraído na íntegra de: https://redlatinasinfronteras.wordpress.com/2017/01/31/colombia_gloria-gaitan-la-historia-se-repite/

 

“Lo que queremos es la democracia directa, aquella donde el pueblo manda, el pueblo decide, el pueblo ejerce control sobre los tres poderes de la democracia burguesa: el Ejecutivo, el Legislativo y el Judicial y que, además, garantice la equidad en el aspecto económico. Allí donde el pueblo es el pueblo, el pueblo ordena y ejerce un mandato directo sobre y en control de quienes han de representarlo. Todo esto exige trabajar honda y apasionadamente en el cambio de una cultura que despierte en el pueblo voluntad para regir directamente sus destinos y exige un profundo cambio constitucional para disponer de una Constitución acorde con la necesidad de un mandato popular directo sobre los destinos de la patria, que elimine los filtros que la democracia burguesa establece y defiende”

______________jorgeeliecergaitan

¿La historia se repite?

Por Gloria Gaitán

Según Carlos Marx, en su libro sobre el 18 Brumario de Luis Bonaparte, escribe refiriéndose a Hegel que éste dijo “que todos los grandes hechos y personajes de la historia universal aparecen, como si dijéramos, dos veces”.  Y comenta: “Pero se olvidó de agregar: una vez como tragedia y otra vez, como comedia.”

Sabemos que la caída del Imperio Romano se le debió a los bárbaros. ¿Será ésta la tragedia? Y será comedia que el bárbaro de Trump sea el responsable de la caída del Imperio Yanky?

Porque el fin de un imperio se da en medio de la decadencia de éste, y no cabe duda que la economía imperial capitalista, neoliberal y salvaje,  está produciendo globalmente dos fenómenos que atentan contra la solidez del Imperio y su régimen de Democracia Representativa:

1º. La concentración de la riqueza en un diminuto porcentaje de individuos y el subsecuente empobrecimiento de las grandes mayorías, que limita la capacidad de comprde los ciudadanos, escasea así el combustible fundamental del capitalismo que es el consumismo.

2º. La indolencia y distanciamiento del establecimiento, de espaldas a la voluntad popular, hace que los sufragantes y la ciudadanía en general comprendan que su voto es equivalente a estampar su firma en un
cheque en blanco, para que los elegidos decidan del destino nacional  a su acomodo y beneficio.

No me cabe duda que le ha llegado la hora al restablecimiento y resurrección del gaitanismo en manos de nuevas voces y nuevos protagonistas, porque el gaitanismo es un proceso interrumpido violentamente que debe retomar su marcha, completando así su parábola temporalmente trunca.

El gaitanismo ha sido el único movimiento de izquierda que en Colombia ha logrado derrotar al establecimiento, como lo hizo en las elecciones parlamentarias y de asambleas de 1947, habiéndose convertido en la organización más poderosa del momento, hasta el punto que el oficialismo liberal,
viéndose derrotado, adhirió al gaitanismo,mientras todos sus llamados “jefes naturales liberales” se auto exiliaron, regresando al país después del 9 de abril de 1948 para retomar el mando del liberalismo.

La clave del éxito de Gaitán fue que no solo criticaba al establecimiento, sino que proponía soluciones claras y definidas para sustituir el predominio oligárquico, despertando así el entusiasmo y la vocación de lucha de las grandes mayorías empobrecidas y agobiadas por el régimen imperante.

Gaitán no se limitaba a protestar contra la corrupción, sino que afirmaba que la decrepitud del capitalismo era su causa, planteando como solución a la inmoralidad la construcción de un nuevo socialismo, democrático y equitativo, orientado directamente por la voluntad del pueblo.

Dos frases de Gaitán responden hoy, plenamente a las inquietudes ciudadanas actuales:

1º. Sobre la corrupción afirmaba:  “Cuando nos encontramos en la decadencia del proceso romano, de la Edad Media, del Renacimiento o de las Monarquías absolutas, ante un desmoronamiento profundo de la moral colectiva, es porque claudicaba en ellos lo que hay de más hondo y permanente en los valores de la vida histórica. Y por eso erramos al afirmar que la inmoralidad acabó con aquellas civilizaciones. No; la inmoralidad era apenas el índice de que se estaba clausurando internamente el ciclo histórico de cada una de aquellas civilizaciones. La inmoralidad colectiva no era la causa sino el síntoma. Y así diremos hoy: no es que la falta de moral esté minando este ciclo de civilización que hemos convenido en llamar capitalista; es que el mundo capitalista está minado por dentro y por eso tiene el índice de la inmoralidad”.

2º. Sobre la decadencia de la Democracia Representativa y la futura instauración de la Democracia Directa planteaba: “Lo que queremos es la democracia directa, aquella donde el pueblo manda, el pueblo
decide, el pueblo ejerce control sobre los tres poderes de la democracia burguesa: el Ejecutivo, el Legislativo y el Judicial y que, además, garantice la equidad en el aspecto económico. Allí donde el pueblo es el pueblo, el pueblo ordena y ejerce un mandato directo sobre y en control de quienes han de
representarlo. Todo esto exige trabajar honda y apasionadamente en el cambio de una cultura que despierte en el pueblo voluntad para regir directamente sus destinos y exige un profundo cambio constitucional para disponer de una Constitución acorde con la necesidad de un mandato popular directo sobre los destinos de la patria, que elimine los filtros que la democracia burguesa establece y defiende”.

Crítica y soluciones, indignación y esperanzas para el futuro, fueron ayer las claves del éxito del gaitanismo y serán los principios de su continuación.

___gloria-gaitan

Bogotá, enero 30 de 2017

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