*Finalmente Aconteceu: A Monsanto (agora Bayer) Comprou Blackwater

a a a a a Monsanto

Se alguma coisa faltava a corporação nefasta Monsanto, era um exercito para-oficial de assassinos assalariados.

Monsanto agora é a corporação “Umbrella” de Resident Evil, porém, no mundo real.

A Monsanto controla boa parte da produção mundial de alimentos, investe na indústria farmacêutica e fabrica armas nucleares e biológicas.

Assim revela o reporter “Jeremy Scahill” para “The Nation“, onde expõe que o maior exercito mercenario do planeta, (conhecido antes como Xe Services e mais recentemente, “Academi”) foi incorporado pela monsanto.

O serviço criminal de inteligencia Blackwater foi vendido à corporação transnacional Monsanto.

Blackwater mudou seu nome em 2009 após incontaveis denúncias internacionais por violações as leis, e por haver adquirido fama por seus massacres de civis no Iraque e outros países.

Não obstante, a Blackwater continua sendo o maior contratada do departamento de estado norte americano, atua como uma agencia secreta de serviços de segurança privada que pratica terrorismo de estado de forma sutil, sendo que os governos onde ela atua não conseguem provar seus atos.

A Political Blind Spot denunciou que: Muitos agentes da cia e ex militares trabalham para Blackwater ou companias relacionadas.

Estes mercenários vendem seus serviços que vão desde informação ilegal, até inteligencia de infiltração, lobismo politico e treinamento paramilitar para governos, bancos e corporações multinacionais.

De acordo com Scahill, os negocios com a Monsanto, Cevron e gigantes financeiros como o Barclays e o Deutsche Bank, se canalizam através de duas empresas cujo proprietário é Erik Prince, Total Intelligence Solutions e Terrorism Research Center.

Cofer Black, um dos dietores conhecido por sua brutalidade quando ainda era diretor da Cia, foi quem fez os contatos iniciais com a Monsanto em 2008, sendo o cabeça da Total Intelligence. A Monsanto contratou seus serviços para espiar e infiltrar orgnizações de direitos humanos, de direito de animais, e ativistas anti-transgênicos, para influenciar e controlar outras organizações biotecnologicas e farmaceuticas.

A Monsanto é acusada por algumas organizações de alguns paises por cometer crime contra jornalistas, ativistas, e politicos que se oponham aos seus planos de expansão.

Ao ser contatado por Scahill, o executivo Kevin Wilson da Monsanto recusou fazer comentários, porém mais tarde foi confirmado ao The Nation que a Monsanto havia contratado a Total Intelegence durante 2008 e 2009, segundo a Monsanto, só para efetuar serviços de informação pública de seus opositores.

 

Continue a ler em espanhol, na íntegra:

http://centrodeperiodicos.blogspot.com.br/2016/04/y-finalmente-lo-hizo-monsanto-compro.html

Sobre:

Jeremy Scahill

Jeremy Scahill é um dos três editores fundadores da Intercept. Ele é um repórter investigativo, correspondente de guerra, e autor dos livros mais vendidos internacionais sujos Wars:

O mundo é um campo de batalha e Blackwater: The Rise o exército mercenário mais poderoso do mundo.

Ele relatou do Afeganistão, Iraque, Somália, Iêmen, Nigéria, a ex-Jugoslávia, e em outros lugares em todo o mundo.

Scahill tem servido como o correspondente de segurança nacional para o país e para Democracy Now!.

O trabalho de Scahill provocou várias investigações do congresso estadunidense e ganhou algumas das maiores honrarias do jornalismo internacional.

Ele foi duas vezes premiado com o prestigiado Prêmio George Polk, em 1998, para a comunicação externa e em 2008 para a Blackwater.

Scahill é produtor e escritor do filme premiado “Sujos Wars”, que estreou no Sundance Film Festival de 2013 e foi nomeado para um Academy Award.

HISTÓRICO:__________________________________________________________e abril de 2016

Matthew Cole , um repórter no Intercept, discute a investigação que expôs ex-CEO da Blackwater, Erik Prince e seu plano para criar sua própria força aérea privada para usar em partes da África. Em “Eco Papa Exposed: Inside Erik Prince Treacherous esforço para construir uma força aérea privada”, ele e co-autor Jeremy Scahill revelar como príncipe planejado para modificar espanadores de fabricação americana de culturas Thrush 510G para ser usado em operações paramilitares no Sudão do Sul e em outros lugares.https://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&sl=en&u=http://www.wnyc.org/people/jeremy-scahill/&prev=search

________________________________________________________

12 de abril de 2016

Erik Prince, o ex-chefe da firma de mercenários Blackwater, agora é o CEO do Grupo de Serviços de Fronteira (FSG), que fornece serviços de logística e aviação para empresas chinesas em África.
Um novo relatório do The Intercept mostra que o príncipe tem procurado equipar aviões agrícolas com equipamento de vigilância e armas, e exportá-los para o Sudão do Sul. Mas, para isso, ele teve que fugir da detecção de países europeus e sua própria empresa.FSG é uma empresa de capital aberto em Hong Kong que não mediar oficialmente ou fornecer serviços de defesa. Em um comunicado emitido em 30 de Março, 2016, a empresadisse : “FSG teve políticas de linha brilhante contra a prestação de serviços de defesa que nos envolva pessoas ou tecnologia dos EUA.”Mas um funcionário Airborne Tecnologia, uma empresa austríaca, que não é nomeado na investigação, disse o príncipe encomendou a empresa para anexar equipamentos de vigilância exclusivo para duas aeronaves Thrush juntamente com metralhadoras, armaduras e outras armas.https://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&sl=en&u=http://www.wnyc.org/people/jeremy-scahill/&prev=search

________________________________________________________

25 de março de 2016

Depois de 11 de setembro ataques terroristas, centenas de norte-americanos contratados militares invadiram o Oriente Médio lucrar novo conflito dos Estados Unidos no Iraque. Erik Prince, em seguida, o fundador da empresa de mercenários Blackwater agora extinta, foi um deles. Depois de crescer com um pai bilionário, ele juntou os EUA Navy Seals em sua própria vontade e fez-se uma espécie de peça indispensável no American “Guerra ao Terror”.
Blackwater tornou-se um nome familiar em 2004. Na época, os americanos assistiu com horror quando quatro dos empreiteiros da empresa foram atacados e seus corpos foram mutilados e arrastado pela cidade iraquiana de Fallujah.Ações judiciais contra a empresa seguiu, e, eventualmente, assumiu um nome diferente antes de ser adquirida por um grupo de investidores privados em 2010. Mas Erik Prince continuou a sua missão para o lucro e ganhar na Guerra ao Terror.

https://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&sl=en&u=http://www.wnyc.org/people/jeremy-scahill/&prev=search

________________________________________________________

22 de outubro de 2015
Jeremy Scahill discute os papéis Drone , a série recentemente publicado pelo The Intercept .O Intercept obtido um cache de documentos secretos através de uma denúncia que revela o funcionamento interno de programas de drones militares dos EUA no Afeganistão, Iêmen e Somália. Apesar das alegações do governo Obama que drone ataques são precisos e minimizar as baixas civis, estes documentos revelam que para cada pessoa alvo de drones, seis pessoas indesejadas também são mortos.

https://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&sl=en&u=http://www.wnyc.org/people/jeremy-scahill/&prev=search

_____________________________________________________

A Yemeni boy walks past a mural depicting a US drone and reading ' Why did you kill my family' on December 13, 2013 in the capital Sanaa.

 

AS DIRETRIZES DO GOVERNO ESTADUNIDENSE PARA ROTULAR VOCÊ COMO UM TERRORISTA:
Cerca de 680.000 pessoas estão atualmente listados no Banco de Dados de Controle Terrorista do governo dos EUA. Mas, de acordo com documentos obtidos pelo The Intercept, mais de 40 por cento das pessoas têm “nenhuma afiliação grupo terrorista reconhecida.” Os documentos também revelam que a administração Obama tem supervisionado uma expansão sem precedentes do sistema de triagem de terroristas.Jeremy Scahill discute o alcance da a lista de relógio e os “elásticos” maneiras que as pessoas muitas vezes acabam em que ele é o autor dos artigos “. Assista Commander: Secret Terrorist-Tracking sistema de Barack Obama, pelos números ” e ” lista negra: o Livro de Regras governo secreto para a rotulagem Você um terrorista.https://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&sl=en&u=http://www.wnyc.org/people/jeremy-scahill/&prev=searchhttps://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&sl=en&u=http://www.wnyc.org/people/jeremy-scahill/&prev=searchOBS.: COM AS ULTIMAS NOTICIAS DIVULGADAS EM QUE: A BAYER TERIA COMPRADO A MONSANTO, A BAYER PASSA A SER DONA DE UM DOS MAIORES EXERCITOS PARTICULARES DO PLANETA.Leia: Bayer compra a Monsanto

Anúncios

*Taxa de Suicídios Aumenta nos EUA. Em 24%

Baja autoestima, abuso de medicamentos, el
empeoramiento de la situación económica y la falta de tratamiento
por problemas mentales fueron las principales causas, según un
investigación.
Un informe publicado este jueves por el Centro
para el Control y la Prevención de Enfermedades (CDC) de Estados
Unidos (EE.UU.) detalla que la tasa de suicidios se incrementó en un
24 por ciento entre 1999 y 2014.
De acuerdo con el estudio, en todos los grupos
de edades se reportaron incrementos en los índices de suicidios, con
excepción de las personas mayores de 75 años, en con las que se
evidenció una ligera disminución.
El sector de la población más afectado por
este fenómenos son los ciudadanos entre 45 y 64 años. De esta
parcialidad unos 30 hombres entre cada 100 mil habitantes se quita la
vida; mientras que entre las mujeres el promedio se reduce a 10 entre
cada 100 mil.
>> OMS: Alarmante el suicidio entre
mujeres jóvenes maltratadas.
Otro aumento notablemente fue el porcentaje de
niños, adolescentes y jóvenes que cometieron suicidio, que pasaron
del 1.9 por ciento a 2.6 por ciento de cada 100 mil en el caso de
niños entre 10 y 14 años; mientras que en las niñas el aumento fue
del 0.5 a 1.5 por ciento entre los 5 y 14 años.
Cifras estiman que los métodos más utilizados
por los hombres (55.4 por ciento) para suicidarse son las armas de
fuego; mientras que las mujeres (34.1 por ciento) optan
principalmente por el envenenamiento.
Entre las causas principales del suicidio
resaltan el abuso de analgésicos y medicamentos, empeoramiento de la
situación económica, la falta de tratamiento de posibles
enfermedades mentales y la falta de autoestima por el uso excesivo de
redes sociales. 
 Este contenido ha sido publicado originalmente
por teleSUR bajo la siguiente dirección: 
http://www.telesurtv.net/news/Tasa-de-suicidios-incrementa-en-EE.UU.-un-24-20160422-0002.html.
Si piensa hacer uso del mismo, por favor, cite la fuente y coloque un
enlace hacia la nota original de donde usted ha tomado este
contenido. www.teleSURtv.net

*Deputados Clientes de Prostituta de Luxo Votaram pela Família.

Extraído na íntegra de: http://olhosdosertao.blogspot.com.br/2016/04/deputados-clientes-de-prostituta-de.html?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter

Da Folha de S. Paulo
Por Eliane Trindade
Companhia constante de políticos entre terças e quintas-feiras (a tradicional semana parlamentar em Brasília), a loura de 36 anos, estilo mignon e cabelos longos contabiliza entre os seus clientes um placar unanimamente favorável ao impeachment da presidente Dilma Rousseff.
“Tenho quatro deputados da atual legislatura entre os meus clientes, de diferentes partidos. Minha bancada é poderosa”, gaba-se a garota de programa, que oscila temporadas como acompanhante fixa de homens ricos e poderosos na Capital da República.
“Todos votaram a favor do impeachment”, conta ela, que foi surpreendida, assim como governo, pela mudança de posição de última hora de um deles.
O resultado caseiro reflete a votação (367 sim e 167 não) do domingo (17), no plenário da Câmara dos Deputados, e está registrado em mensagens de WhatsApp.
Sob condição de sigilo, a acompanhante de luxo abre o aplicativo do celular e passa a exibir orgulhosa as inúmeras mensagens trocadas com um parlamentar do PMDB, dois do PP e um quarto do PR, durante a votação do impeachment e também no dia seguinte.
O conteúdo da intensa comunicação arquivada em seu iPhone 6, protegido por uma capinha dourada, demonstra a intimidade cultivada ao longo dos últimos quatro anos.
De um parlamentar do Rio de Janeiro, a loura recebeu um link no qual o nobre deputado aparece dedicando o voto pelo “sim” ao impeachment à família e fazendo uma ode à cidade onde tem sua base eleitoral. “Parabéns, vi você agora”, digitou ela em resposta. “Os bons vão permanecer.”
O texto enviado no início da noite de domingo, no calor da votação, foi enfeitado com uma sequência de emojis, entre eles oito aplausos.
O deputado retribuiu dois minutos depois com a imagem de um coração solitário, encerrando temporariamente a comunicação.
Os dois se conheceram em uma festa de aniversário de um outro parlamentar, na qual ela era uma das 20 mulheres convidadas para entreter dez deputados amigos do dono da festa. “Era tudo muito cafona e caro”, recorda-se.
No reagabofe em 2014, ela se perfilou em um “corredor polonês” de meninas. Foi uma das escolhidas pelo líder de uma bancada, com quem dividiu uma suíte no hotel cinco estrelas, cuja ala presidencial foi alugada para a festança.
“Ninguém fala em dinheiro nessas horas, mas os presentes e a grana vêm naturalmente depois, ao virar a eleita de um cara desses”, diz.
Ela não esconde a inveja de um amiga que ganhou um par de sandálias Christian Louboutin logo depois do primeiro encontro.
A brasiliense entrou no círculo íntimo do poder graças às conexões de uma conhecida cafetina. Procurada pela Folha, a “promoter” desligou o celular ao saber do teor da reportagem.
RESCALDO
Um dia depois da votação do impeachment, o WhatsApp da loura continua bombando com o rescaldo da votação.
Na segunda-feira, um parlamentar de São Paulo, o mais conhecido da lista de clientes declarados dela –ou de amigos íntimos como prefere defini-los– envia o link do YouTube que imortalizou seu voto “por amor ao Brasil e à filha”.
O deputado do PP está exultante com a repercussão do seu “sim” entre o público que assistia à sessão em um telão na avenida Paulista, em São Paulo.
A acompanhante de luxo brasiliense só não foi brindada com uma justificativa de voto do seu amigo parlamentar que era tido como fiel ao governo até o último momento. “Fiquei chocada quando soube que ele mudou o voto. É o único da minha turma que é citado na Lava Jato.”
Ela encerra o papo mostrando uma mensagem enviada também por um dos nobres deputados de “sua bancada”. O parlamentar entra no clima de chacota que tomou as redes sociais, diante da enxurrada de dedicatórias às mulheres durante a votação histórica.
O meme ironizando o discurso moralista e hipócrita de suas excelências, listando o placar de esposas lisonjeadas (120), amantes zangadas (200), filhos falando “ai que mico” (300).
LOVE BOAT
Com a presença rara em Brasília de mulheres e filhos no fim de semana para acompanhar a sessão histórica, o circuito de festas privativas promovidas por parlamentares ficou, digamos, mais familiar.
No fim de semana de impeachment, nada das tradicionais baladas regadas a mulheres bonitas e muita bebida, que são definidas como “plataformas de relações públicas e de exercício de poder” por um lobista das antigas acostumado a frequentá-las.
São opções de lazer para políticos, empresários e a fauna que gira em torno do poder em Brasília.
Na atual legislatura, as festas mais famosas acontecem em um barco de um senador goiano, apelidado de “love boat”. O senador também costuma emprestar o “barco do amor”, que conta com uma única e luxuosa suíte, para amigos.
Outro cenário de noitadas é a casa de um senador mineiro no Lago Sul, que tem uma boate com um sugestivo palco de “pole dance”. Periguetes com crachá do Congresso Nacional e outras que cobram por hora costumam disputar os convites para as baladas.
CAPITAL SEXY
Em outro circuito, Karina Sales, uma loura de 25 anos, 1m65 e 53 kg, conforme anúncio do site de acompanhantes Capital Sexy, diz que o impeachment foi frustrante em termos de movimento no já pouco aquecido mercado de sexo brasiliense.
“Por conta da política, o povo sumiu. Tá todo mundo preso nas sessões no Congresso. Esse impeachment é muito brochante”, diz.
Ela é pessimista com os rumos do país e do próprio negócio, em tempos de crise política e econômica. “Gata, desce Dilma, sobe Temer, não vai mudar nada.”
Karina cobra R$ 500 por programa, aceita todos os cartões de crédito e relata cenas de pechincha generalizada em tempos de Lava Jato: “Não interessa se é senador, deputado ou político menor, como prefeitos e vereadores que vêm atrás dos grandes, todos choram miséria na hora de fechar programa.”
O mercado não está bom nem para peixe famoso. “Uma estrela pornô da produtora Brasileirinhas veio para Brasília para a temporada do impeachment e foi embora dois dias antes da votação”, relata Artur Henrique, dono do site Capital Sexy, que promove os anúncios das acompanhantes de luxo. “O dinheiro sumiu”, resume ele.
Já o garoto de programa Franco, do site Bofes.com, diz que não tem do que reclamar de Brasília. “Pra mim, crise não existe”, garante ele, nascido em Fortaleza.
Como discrição é a alma do negócio, Franco não entrega a clientela VIP, disposta a pagar R$ 400 por um programa. “Se atendo político ou famoso, eu nem sei. Não tenho televisão em casa, só vejo Netflix.”
No fim de semana da votação do impeachment, o fã de “House of Cards” diz ter sido sondado para uma “suruba” no Lago Sul. “Mas o cliente acabou não contratando ninguém. Acontece muito.”
Segundo ele, o que tem bombado mesmo é a sauna de um dos hotéis mais tradicionais da Capital, ponto de encontro gay. “Os caras cobram muito barato, R$ 50. Ganham por quilometragem e na pegação fazem dez programas numa tarde”, explica Franco.
Ele não se animou a tomar partido e se juntar à multidão dividida pelo “muro da vergonha” para acompanhar a votação neste domingo, 17. “Tendo ou não impeachment, nada muda. A máquina toda é corrompida.”
Sua colega Karina também optou por outro programa para o domingão decisivo para o governo Dilma Rousseff. “Preferi bronzear meu corpitcho.”
Com o bronzeado sempre em dia, a loura do WhatsApp passou o fim de semana da votação do impeachment fora de Brasília. Afinal, “era o dia da patroa ser homenageada”.

*(Rojava) A economia Comunitaria Progride com Espirito de Unidade e Luta em Qamíslo

Extrádo de: Periódico El Sol Ácrata in Mundo

Mujeres-tierra-Rojava-e1460980636905-770x410

En Qamislo, cantón de Cizir (Rojava), cada día se organizan nuevas cooperativas agrícolas, con el apoyo del Comité Económico de las Mujeres. Las mujeres de Qamislo confirman el progreso y el éxito del sistema cooperativista y comunitario, ya que están resueltas a estar unidas en la vida así como en la producción. En noviembre y diciembre pasados iniciaron los trabajos de roturación, siembra y riego, plantando 73 sacos de semillas tanto en el centro de la ciudad como en los campos aledaños de Qamislo. El equipo de 35 mujeres ha realizado la totalidad de los trabajos, plantando, cereales y lentejas. Şîrîn Yusiv, una de ellas, expresa que el trabajo ha salido adelante por la voluntad y la confianza de las mujeres.

Cîhan Bağistanî también informó que se sienten muy satisfechas y orgullosas del trabajo comunitario y de lo que las mujeres pueden desarrollar por ellas mismas.

También en Til Temir, las mujeres kurdas se han organizado para desarrollar su proyecto económico y comunitario. El poder adquisitivo de las personas de Rojava disminuyó alarmantemente debido al embargo económico impuesto por el AKP turco y el PDK del Gobierno Regional de Kurdistán de Irak. Lxs ciudadanxs tienen verdaderos problemas para satisfacer sus necesidades básicas y por ello han puesto en marcha un plan alternativo. Veinte mujeres del Til Temir están haciendo frente a sus necesidades económicas mediante el cultivo de vegetales en ocho acres de terrreno. Esta iniciativa se ha puesto en marcha gracias a estas mujeres en colaboración con la organización de Kongreya-Star. Las mujeres trabajan en el campo de 8 a 12 y de 14 a 17 horas, tras lo que venden sus productos en el mercado comunitario.

FUENTE: Jinha / Traducido por Newrozeke

*Violência e Resistência no Campo e na Floresta: toda solidariedade aos sem-terra e ao movimento indígena

As organizações anarquistas especifistas que compõe a Coordenação Anarquista Brasileira (CAB) vêm repudiar veementemente o ataque orquestrado pela Polícia Militar em conluio com jagunços e seguranças particulares da empresa madeireira Araupel contra um grupo de militantes sem-terra no dia 7 de abril de 2016, quinta-feira, que culminou na morte de dois sem-terra e outros tantos feridos.

luto - toda solidariedade aos sem-terra

Histórico de lutas dos sem-terra na região:

Na região sudoeste do estado do Paraná, onde fica o município de Quedas do Iguaçu e o Acampamento Dom Tomás Balduíno, o agronegócio está fortemente presente com monoculturas de soja, pinus e eucalipto e indústrias madeireiras. Nessa mesma região existe um rico histórico de lutas populares pela terra, construído com muito suor e sangue. É uma área de muitos conflitos em que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) vem construindo uma história de peleia pela reforma agrária popular e também importante pelo seu valor simbólico: foi na cidade de Cascavel que o MST teve sua fundação formal em 1984.

Os conflitos que se agravam na região são de longa data, mas podemos perceber intensificação a partir de 2015, ano de surgimento de dois novos acampamentos do MST em terras paranaenses: Acampamento Dom Tomás Balduíno, em Quedas do Iguaçu, com cerca de 2,5 mil famílias e Acampamento Herdeiros da Terra de 1º de Maio, em Rio Bonito do Iguaçu, com cerca de 1,5 mil famílias. Ambos os acampamentos ocuparam terras que tinham sido griladas pela mesma empresa madeireira, Araupel.

Em 8 de março 2015, para evidenciar que o Dia Internacional da Mulher é um dia de luta e não de comemoração, um grupo de Mulheres do MST, realizaram uma ação política no viveiro de mudas da empresa, ocupando e destruindo mais de 5 milhões de reais em mudas de pinus.

KODAK Digital Still Camera

Ataque da PM, Araupel e jagunços

No período da tarde do dia 7 de abril, quinta-feira passada, um grupo de aproximadamente 25 trabalhadores e trabalhadoras circulava em caminhonetes e motocicletas no acampamento Dom Tomás Balduíno; perímetro da área demarcada como pública pela Justiça Federal. O grupo de trabalhadores e trabalhadoras foi surpreendido por disparos de armas de fogo da PM e seguranças particulares da empresa Araupel contra os veículos, o que fez com que eles fugissem dos disparos para dentro das matas em direção ao acampamento que se encontrava a 6 km de distância.

Os fatos demonstram ser falaciosa a ideia de “confronto” apontada pela grande mídia. Não houve confronto, pois não havia qualquer igualdade de condições. A própria Polícia Militar admite ter encontrado os corpos nas matas e que todos os tiros atingiram os trabalhadores pelas costas, o que faz cair por terra a nota pública da Secretaria de Segurança Pública do Paraná (SESP/PR) emitida sobre o assunto no mesmo dia. Nota-se que a relação dos monopólios e oligopólios da mídia paranaense e brasileira estão em enorme sintonia com os empresários da Madeireira Araupel e do agronegócio em geral.

Segundo a versão da SESP/PR, as equipes policiais tinham ido atender a ocorrência de um incêndio nas áreas do acampamento, porém estavam presentes grupos especiais da Polícia Militar, como o BOPE e a ROTAM, mas o Corpo de Bombeiros sequer tinha sido acionado.

No ataque ao grupo dos sem-terra, os trabalhadores Vilmar Bordim, 44 anos, pai de três filhos, e Leomar Bhorbak, 24 anos, com esposa grávida de 9 meses, tiveram suas vidas ceifadas, em nome da defesa do latifúndio, do agronegócio, do “desenvolvimento econômico” do Brasil. Além disso, mais dois trabalhadores rurais que foram detidos e após duas horas foram liberados.

A nota pública da SESP/PR é incisiva e deixa claro até que ponto eles estão dispostos a encobertar o ocorrido:

“Mais de 20 pessoas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) estavam no local e começaram a disparar contra as equipes da PM, que reagiram ao ataque.”

Com o titulo da nota, eles demonstram, apesar de tudo, querer ainda responsabilizar e criminalizar o movimento pelo acontecido:

“Policiais são alvo de emboscada em Quedas do Iguaçu”

Ainda, segundo a Polícia Militar,

“Com eles, a polícia apreendeu uma pistola 9 milímetros e uma espingarda calibre 12.”

Como é possível falar em confronto entre um grupo de trabalhadores rurais com uma espingarda e uma pistola (se é que realmente estavam) contra duas equipes da Polícia Militar, da ROTAM (Rondas Ostensivas Tático Móvel) e BOPE (Batalhão de Operações Especiais), além de um grupo de jagunços?

Nota da Secretária Estadual de Segurança Pública do Paraná: http://www.seguranca.pr.gov.br/modules/noticias/article.php?storyid=9886&tit=Policiais-sao-alvo-de-emboscada-em-Quedas-do-Iguacu

Ainda há outros elementos que demonstram a barbárie ocorrida: parentes, amigos e imprensa foram impedidos de acessar o local por horas, não puderam socorrer os feridos do ataque, nem averiguar a situação do local. Os policias chegaram a retirar os corpos das vítimas sem a presença do IML – Instituto Médio Legal, como também os próprios objetos pessoais das vítimas. Todas as delegacias e hospitais da cidade de Quedas do Iguaçu para onde foram levados os sem-terra envolvidos no acontecimento foram cercadas pela Polícia Militar, que impediu qualquer acesso às vitimas, até mesmo de advogados.

Um ataque com nome e assinatura

O embate entre Araupel x MST vem se arrastando há alguns anos, tanto na esfera jurídica quando na esfera da luta nas ruas. Recentemente o MST obteve algumas vitórias na justiça, um dos motivos que fez com que a Araupel, recorresse a meios “mais eficazes” para atingir seu objetivo: exterminar os sem-terra que ocuparam “suas” terras.

O Poder Judiciário tem um lado, e não é o das pessoas pobres. Mas quando os pobres se organizam em movimentos sociais para obter seus direitos, pressionam e conquistam seus objetivos. Os derrotados na esfera legal, que muitos momentos recorrem ao discurso da legalidade para validar seus objetivos, rasgam qualquer lei quando convém. Quando lhes interessa, recorrem aos meios mais violentos como a contratação de grupos para-militares, jagunços, pistoleiros, capangas de fazendeiros para o assassinato de lideranças camponesas ou quem quer que esteja lhes perturbando.

No dia primeiro de abril deste ano, o deputado federal Valdir Rossoni (PSDB-PR), agora ministro chefe da Casa-Civil do Paraná, foi a Quedas do Iguaçu participar de uma audiência que discutia a questão dos conflitos agrários na região. Segundo o MST, Rossoni se comprometeu com a Araupel – que foi quem financiou sua campanha eleitoral – teria que retribuir o “favor” e “resolver o problema com os sem-terra”. Para isso, foi solicitado o envio de mais de 80 soldados da PM para a região a fim de “combater a eminência da criminalidade” na região. Segundo ele os acampamentos seriam os maiores responsáveis pela criminalidade na região. Nota-se a clara tentativa de criminalizar o movimento social.

rossoni

Questão Jurídica do território Rio das Cobras:

No ano de 2004, O INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) entrou com uma ação na Justiça contra a grilagem da Araupel, para que os títulos de propriedade da terra da empresa fossem declarados como nulos. Em maio de 2015, a juíza Lilia Côrtes de Carvalho de Martino, da 1ª Vara Federal de Cascavel, declarou nulo estes títulos de propriedade da fazenda Rio das Cobras (que até então estavam nas mãos da empresa), como também considerou ilegal toda a cadeia dominial das terras. Assim, elas pertenceriam à União.

O que aconteceu no dia 7 de abril foi uma tentativa desesperada da Araupel de retomar suas terras através da violência, ameaças e assassinatos.

A iminência de conflitos agrários no Paraná é cada vez mais nítida. Além desse caso, houve também a reintegração de posse na Terra Indígena Boa Vista, no início de março.  Pouco depois, a liderança Kaingang da comunidade, Claudio Rufino, foi presa e ainda hoje se encontra encarcerada pela Policia Federal em Curitiba, com acusações das mais variadas diversas, desde porte de armas à cárcere privado.

lutaindigena

Conjuntura de repressão e criminalização dos que lutam:

Está em curso uma agenda de ataques severos aos povos do campo e florestas que lutam por seus territórios e direitos sociais. No último dia 6 de abril houve a reintegração de posse do Território Indígena Gravatá, no município de Ilhéus – Bahia, onde vive a tribo indígena Tupinambá. No dia anterior havia sido feita uma negociação entre os indígenas e a Polícia Militar para que não houvesse a reintegração, entretanto, como era de se esperar, a PM não cumpriu sua parte do acordo. E no fatídico dia 7 de abril o cacique Rosivaldo Ferreira da Silva, o Babau, foi preso por porte de arma.

O cacique Babau é uma liderança indígena com grande histórico de luta e perseguição. Existe, naquela região, grande interesse econômico na retirada de areia, entretanto, a comunidade Tupinambá sempre se posicionou contrária a pratica, impedindo a entrada e saída de veículos e caminhões.

Também neste caso o Estado assume seu lado na figura do juiz Lincoln Pinheiro da Costa, da Justiça Federal de Ilhéus, que vem atuando para defender a retirada de areia da terra indígena tupinambá, comprovando o seu caráter de classe.

20 anos do Massacre de Eldorados dos Carajás

Há 20 anos do Massacre de Eldorados dos Carajás o Estado continua mantendo e preservando ferozmente os interesses de quem explora e esmaga os pobres. Cumpre assim o papel de servir a uma minoria privilegiada, legitimando a exploração e opressão dos de baixo e se utilizando de todos os meios possíveis para manter o sistema de dominação.

O Massacre de Eldorados dos Carajás ocorreu em 1996 no Pará, em que a Policia Militar assassinou 19 trabalhadores rurais. Não será esquecido!

Assim, no período em que se marca os 20 anos do Massacre no Pará, vemos cada vez maior a intensificação das pautas da bancada ruralista contra os povos do campo, floresta e mar.

Viemos manifestar todo nosso apoio e solidariedade aos que lutam. É somente a partir da ação direta do povo, da autogestão e da autonomia dos movimentos sociais que conseguirmos avançar rumo a uma sociedade mais justa.

Toda solidariedade aos sem-terra!

Leomar Bhorbak e Vilmar Bordim vivem!

Solidariedade ao cacique Tupinambá Babau!

Lutar! Criar Poder Popular!

 

Extraído na íntegra de: https://anarquismo.noblogs.org/?p=445

*O Corpo Utópico de Michel Foucault

Extraído na íntegra do site: http://www.geledes.org.br/cansada-de-ler-sobre-garotos-menina-reune-4-000-livros-com-garotas-negras/

Nesta conferência de Michel Foucault – que acaba de ser publicada em espanhol – o corpo é, em primeiro lugar, “o contrário de uma utopia”, lugar “absoluto”, “desapiedado”, com o qual a utopia da alma se confronta. Mas, finalmente, o corpo, “visível e invisível”, “penetrável e opaco”, é “o ator principal de toda utopia” e cala apenas diante do espelho, do cadáver ou do amor.

Por Michel Foucault Do IHU

A conferência “O corpo utópico”, de 1966, integra o livro El cuerpo utópico. Las heterotopías, cuja versão espanhola acaba de ser publicada (Ed. Nueva Vision). Esta versão está publicada no jornal argentino Página/12, 29-10-2010. A tradução é do Cepat.

Eis a conferência.

Basta eu acordar, que não posso escapar deste lugar que Proust [A recuperação do corpo no processo do acordar é um tema recorrente na obra de Marcel Proust – Nota da Redação], docemente, ansiosamente, ocupa uma vez mais em cada despertar. Não que me prenda ao lugar – porque depois de tudo eu posso não apenas mexer, andar por aí, mas posso movimentá-lo, removê-lo, mudá-lo de lugar –, mas somente por isso: não posso me deslocar sem ele. Não posso deixá-lo onde está para ir a outro lugar. Posso ir até o fim do mundo, posso me esconder, de manhã, debaixo das cobertas, encolher o máximo possível, posso deixar-me queimar ao sol na praia, mas o corpo sempre estará onde eu estou. Ele está aqui, irreparavelmente, nunca em outro lugar. Meu corpo é o contrário de uma utopia, é o que nunca está sob outro céu, é o lugar absoluto, o pequeno fragmento de espaço com o qual, em sentido estrito, eu me corporizo.

Meu corpo, topia desapiedada. E se, por ventura, eu vivesse com ele em uma espécie de familiaridade gastada, como com uma sombra, como com essas coisas de todos os dias que finalmente deixei de ver e que a vida passou para segundo plano, como essas chaminés, esses telhados que se amontoam cada tarde diante da minha janela? Mas, todas as manhãs, a mesma ferida; sob os meus olhos se desenha a inevitável imagem que o espelho impõe: rosto magro, costas curvadas, olhos míopes, careca, nada lindo, na verdade. Meu corpo é uma jaula desagradável, na qual terei que me mostrar e passear. É através de suas grades que eu vou falar, olhar, ser visto. Meu corpo é o lugar irremediável a que estou condenado.

Depois de tudo, creio que é contra ele e como que para apagá-lo, que nasceram todas as utopias. A que se devem o prestígio da utopia, da beleza, da maravilha da utopia? A utopia é um lugar fora de todos os lugares, mas é um lugar onde terei um corpo sem corpo, um corpo que será belo, límpido, transparente, luminoso, veloz, colossal em sua potência, infinito em sua duração, desligado, invisível, protegido, sempre transfigurado; e é bem possível que a utopia primeira, aquela que é a mais inextirpável no coração dos homens, seja precisamente a utopia de um corpo incorpóreo. O país das fadas, dos duendes, dos gênios, dos magos, e bem, é o país onde os corpos se transportam à velocidade da luz, onde as feridas se curam imediatamente, onde caímos de uma montanha sem nos machucar, onde se é visível quando se quer e invisível quando se deseja. Se há um país mágico é realmente para que nele eu seja um príncipe encantado e todos os lindos peraltas se tornem peludos e feios como ursos.

Mas há ainda outra utopia dedicada a desfazer os corpos. Essa utopia é o país dos mortos, são as grandes cidades utópicas deixadas pela civilização egípcia. Mas, o que são as múmias?  São a utopia do corpo negado e transfigurado. As múmias são o grande corpo utópico que persiste através do tempo. Há as pinturas e esculturas dos túmulos; as estátuas, que, desde a Idade Média, prolongam uma juventude que não terá fim. Atualmente, existem esses simples cubos de mármore, corpos geometrizados pela pedra, figuras regulares e brancas sobre o grande quadro negro dos cemitérios. E nessa cidade de utopia dos mortos, eis aqui que meu corpo se torna sólido como uma coisa, eterno como um deus.

Mas, talvez, a mais obstinada, a mais poderosa dessas utopias através das quais apagamos a triste topologia do corpo nos seja administrada pelo grande mito da alma, fornecido desde o fundo da história ocidental. A alma funciona maravilhosamente dentro do meu corpo. Nele se aloja, evidentemente, mas sabe escapar dele: escapa para ver as coisas, através das janelas dos meus olhos, escapa para sonhar quando durmo, para sobreviver quando morro. A minha alma é bela, pura, branca. E se meu corpo barroso – em todo o caso não muito limpo – vem a se sujar, é certo que haverá uma virtude, um poder, mil gestos sagrados que a restabelecerão em sua pureza primeira. A minha alma durará muito tempo, e mais que muito tempo, quando o meu velho corpo apodrecer. Viva a minha alma!  É o meu corpo luminoso, purificado, virtuoso, ágil, móvel, tíbio, fresco; é o meu corpo liso, castrado, arredondado como uma bolha de sabão.

E eis que o meu corpo, pela virtude de todas essas utopias, desapareceu. Desapareceu como a chama de uma vela que alguém sopra. A alma, as tumbas, os gênios e as fadas se apropriaram pela força dele, o fizeram desaparecer em um piscar de olhos, sopraram sobre seu peso, sobre sua feiúra, e me restituíram um corpo fulgurante e perpétuo.

Mas meu corpo, para dizer a verdade, não se deixa submeter com tanta facilidade. Depois de tudo, ele mesmo tem seus recursos próprios e fantásticos. Também ele possui lugares sem-lugar e lugares mais profundos, mais obstinados ainda que a alma, que a tumba, que o encanto dos magos. Tem suas bodegas e seus celeiros, seus lugares obscuros e praias luminosas. Minha cabeça, por exemplo, é uma estranha caverna aberta ao mundo exterior através de duas janelas, de duas aberturas – estou seguro disso, posto que as vejo no espelho. E, além disso, posso fechar um e outro separadamente. E, no entanto, não há mais que uma só dessas aberturas, porque diante de mim não vejo mais que uma única paisagem, contínua, sem tabiques nem cortes. E nessa cabeça, como acontecem as coisas? E, se as coisas entram na minha cabeça – e disso estou muito seguro, de que as coisas entram na minha cabeça quando olho, porque o sol, quando é muito forte e me deslumbra, vai a desgarrar até o fundo do meu cérebro –, e, no entanto, essas coisas ficam fora dela, posto que as vejo diante de mim e, para alcançá-las, devo me adiantar.

Corpo incompreensível, penetrável e opaco, aberto e fechado: corpo utópico. Corpo absolutamente visível – porque sei muito bem o que é ser visto por alguém de alto a baixo, sei o que é ser espiado por trás, vigiado por cima do ombro, surpreendido quando menos espero, sei o que é estar nu. Entretanto, esse mesmo corpo é também tomado por uma certa invisibilidade da qual jamais posso separá-lo. A minha nuca, por exemplo, posso tocá-la, mas jamais vê-la; as costas, que posso ver apenas no espelho; e o que é esse ombro, cujos movimentos e posições conheço com precisão, mas que jamais poderei ver sem retorcer-me espantosamente.

O corpo, fantasma que não aparece senão na miragem de um espelho e, mesmo assim, de maneira fragmentada. Necessito realmente dos gênios e das fadas, e da morte e da alma, para ser ao mesmo tempo indissociavelmente visível e invisível? E, além disso, esse corpo é ligeiro, transparente, imponderável; não é uma coisa: anda, mexe, vive, deseja, se deixa atravessar sem resistências por todas as minhas intenções. Sim. Mas até o dia em que fico doente, sinto dor de estômago e febre. Até o dia em que estala no fundo da minha boca a dor de dentes. Então, então deixo de ser ligeiro, imponderável, etc.: me torno coisa, arquitetura fantástica e arruinada.

Não, realmente, não se necessita de magia, não se necessita de uma alma nem de uma morte para que eu seja ao mesmo tempo opaco e transparente, visível e invisível, vida e coisa. Para que eu seja utopia, basta que seja um corpo. Todas essas utopias pelas quais esquivava o meu corpo, simplesmente tinham seu modelo e seu ponto primeiro de aplicação, tinham seu lugar de origem em meu corpo. Estava muito equivocado há pouco ao dizer que as utopias estavam voltadas contra o corpo e destinadas a apagá-lo: elas nasceram do próprio corpo e depois, talvez, se voltarão contra ele.

Uma coisa, entretanto, é certa: o corpo humano é o ator principal de todas as utopias. Depois de tudo, uma das utopias mais velhas que os homens contaram a si mesmos, não é o sonho de corpos imensos, sem medidas, que devorariam o espaço e dominariam o mundo? É a velha utopia dos gigantes, que se encontra no coração de tantas lendas, na Europa, na África, na Oceania, na Ásia. Essa velha lenda que durante tanto tempo alimentou a imaginação ocidental, de Prometeu a Gulliver.

O corpo é também um grande ator utópico quando se pensa nas máscaras, na maquiagem e na tatuagem. Usar máscaras, maquiar-se, tatuar-se, não é exatamente, como se poderia imaginar, adquirir outro corpo, simplesmente um pouco mais belo, melhor decorado, mais facilmente reconhecível. Tatuar-se, maquiar-se, usar máscaras, é, sem dúvida, algo muito diferente; é fazer entrar o corpo em comunicação com poderes secretos e forças invisíveis. A máscara, o sinal tatuado, o enfeite colocado no corpo é toda uma linguagem: uma linguagem enigmática, cifrada, secreta, sagrada, que se deposita sobre esse mesmo corpo, chamando sobre ele a força de um deus, o poder surdo do sagrado ou a vivacidade do desejo. A máscara, a tatuagem, o enfeite coloca o corpo em outro espaço, o fazem entrar em um lugar que não tem lugar diretamente no mundo, fazem desse corpo um fragmento de um espaço imaginário, que entra em comunicação com o universo das divindades ou com o universo do outro. Alguém será possuído pelos deuses ou pela pessoa que acaba de seduzir. Em todo o caso, a máscara, a tatuagem, o enfeite são operações pelas quais o corpo é arrancado do seu espaço próprio e projetado a outro espaço.

Escutem, por exemplo, este conto japonês e a maneira como um tatuador faz passar a um universo que não é o nosso o corpo da jovem que ele deseja:

“O sol lançava seus raios sobre o rio e incendiava o quarto das sete esteiras. Seus raios refletidos sobre a superfície da água formavam um desenho de ondas douradas sobre o papel dos biombos e sobre o rosto da jovem em sono profundo. Seikichi, depois de ter corrido os tabiques, tomou entre as suas mãos suas ferramentas de tatuagem. Durante alguns instantes permaneceu imerso numa espécie de êxtase. Precisamente agora saboreava plenamente a estranha beleza da jovem. Parecia-lhe que podia permanecer sentado diante desse rosto imóvel durante dezenas ou centenas de anos sem jamais experimentar nem cansaço nem aborrecimento. Assim como o povo de Mênfis embelezava outrora a terra magnífica do Egito de pirâmides e de esfinges, assim Seikichi, com todo o seu amor, quis embelezar com seu desenho a pele fresca da jovem. Aplicou-lhe de imediato a ponta de seus pincéis de cor segurando-os entre o polegar, e os dedos anular e pequeno da mão esquerda, e à medida que as linhas eram desenhadas, picava-as com sua agulha que segurava na mão direita”.

E quando se pensa que as vestimentas sagradas ou profanas, religiosas ou civis fazem o indivíduo entrar no espaço fechado do religioso ou na rede invisível da sociedade, então se vê que tudo quanto toca o corpo – desenhos, cores, diademas, tiaras, vestimentas, uniformes – faz alcançar seu pleno desenvolvimento, sob uma forma sensível e abigarrada, as utopias seladas no corpo.

Mas, se fosse preciso descer mais uma vez abaixo das vestimentas, se fosse preciso alcançar a própria carne, e então se veria que em alguns casos, em seu ponto limite, é o próprio corpo que volta contra si seu poder utópico e faz entrar todo o espaço do religioso e do sagrado, todo o espaço do outro mundo, todo o espaço do contra-mundo, no interior mesmo do espaço que lhe está reservado. Então, o corpo, em sua materialidade, em sua carne, seria como o produto de suas próprias fantasias. Depois de tudo, acaso o corpo de um dançarino não é justamente um corpo dilatado segundo todo um espaço que lhe é interior e exterior ao mesmo tempo? E também os drogados, e os possuídos; os possuídos, cujo corpo se torna um inferno; os estigmatizados, cujo corpo se torna sofrimento, redenção e salvação, paraíso sangrante.

Bobagem dizer, portanto, como fiz no início, que meu corpo nunca está em outro lugar, quer era um aqui irremediável e que se opunha a toda utopia.

Meu corpo, de fato, está sempre em outro lugar. Está ligado a todos os outros lugares do mundo, e, para dizer a verdade, está num outro lugar que é o além do mundo. É em referência ao corpo que as coisas estão dispostas, é em relação ao corpo que existe uma esquerda e uma direita, um atrás e um na frente, um próximo e um distante. O corpo está no centro do mundo, ali onde os caminhos e os espaços se cruzam, o corpo não está em nenhuma parte: o coração do mundo é esse pequeno núcleo utópico a partir do qual sonho, falo, me expresso, imagino, percebo as coisas em seu lugar e também as nego pelo poder indefinido das utopias que imagino. O meu corpo é como a Cidade de Deus, não tem lugar, mas é de lá que se irradiam todos os lugares possíveis, reais ou utópicos.

Depois de tudo, as crianças demoram muito tempo para descobrir que têm um corpo. Durante meses, durante mais de um ano, não têm mais que um corpo disperso, membros, cavidades, orifícios, e tudo isto não se organiza, tudo isto não se corporiza literalmente, senão na imagem do espelho. De uma maneira mais estranha ainda, os gregos de Homero não tinham uma palavra para designar a unidade do corpo. Por mais paradoxal que possa parecer, diante de Tróia, sob os muros defendidos por Hector e seus companheiros, não havia corpo, havia braços levantados, havia peitos valorosos, pernas ágeis, cascos brilhantes acima das cabeças: não havia um corpo. A palavra grega que significa corpo só aparece em Homero para designar o cadáver. É esse cadáver, por conseguinte, é o cadáver e é o espelho que nos ensinam (enfim, que ensinaram os gregos e que ensinam agora as crianças) que temos um corpo, que esse corpo tem uma forma, que essa forma tem um contorno, que nesse contorno há uma espessura, um peso, numa palavra, que o corpo ocupa um lugar.

O espelho e o cadáver assinalam um espaço à experiência profunda e originariamente utópica do corpo; o espelho e o cadáver fazem calar e apaziguam e fecham sobre um fecho – que agora está para nós selado – essa grande raiva utópica que deteriora e volatiliza a cada instante o nosso corpo. É graças a eles, ao espelho e ao cadáver, que o nosso corpo não é pura e simples utopia. Ora, se se pensa que a imagem do espelho está alojada para nós em um espaço inacessível, e que jamais poderemos estar ali onde estará o nosso cadáver, se pensamos que o espelho e o cadáver estão eles mesmos em um invencível outro lugar, então se descobre que só utopias podem encerrar-se sobre elas mesmas e ocultar um instante a utopia profunda e soberana de nosso corpo.

Talvez seria preciso dizer também que fazer o amor é sentir seu corpo se fechar sobre si, é finalmente existir fora de toda utopia, com toda a sua densidade, entre as mãos do outro. Sob os dedos do outro que te percorrem, todas as partes invisíveis do teu corpo se põem a existir, contra os lábios do outro os teus se tornam sensíveis, diante de seus olhos semi-abertos teu rosto adquire uma certeza, há um olhar finalmente par ver tuas pálpebras fechadas. Também o amor, assim como o espelho e como a morte, acalma a utopia do teu corpo, a cala, a acalma, a fecha como numa caixa, a fecha e a sela. É por isso que é um parente tão próximo da ilusão do espelho e da ameaça da morte; e se, apesar dessas duas figuras perigosas que o rodeiam, se gosta tanto de fazer o amor é porque, no amor, o corpo está aqui.

*E a Vaca Atolada, Será Que Ainda Está Viva

“É possível concluir que a sociedade de espetáculo é a melhor forma de corromper a Justiça, impedindo que os direitos fundamentais sejam exercidos. Por que é assim?

O problema é que no processo penal voltado para o espetáculo não há espaço para garantir direitos fundamentais. O espetáculo não deseja chegar a nada, nem respeitar qualquer valor, que não seja ele mesmo. A dimensão de garantia, inerente ao processo penal no Estado Democrático de Direito, marcado por limites ao exercício do poder, desaparece para ceder lugar à dimensão de entretenimento. No processo espetacular o diálogo, a construção dialética da solução do caso penal a partir da atividade das partes, tende a desaparecer, substituído pelo discurso dirigido pelo juiz. Um discurso construído, não raro, para agradar às maiorias de ocasião, forjadas pelos meios de comunicação de massa. Espetáculo, vale dizer, adequado à tradição em que está inserido o ator-espectador: um programa autoritário feito para pessoas que se acostumaram com o autoritarismo, que acreditam na força, em detrimento do conhecimento, para solucionar os mais diversos e complexos problemas sociais e que percebem os direitos fundamentais como obstáculos à eficiência do Estado e do mercado. No processo penal do espetáculo, o desejo de democracia é substituído pelo “desejo de audiência”, para utilizar a expressão cunhada pela filosofa gaúcha Marcia Tiburi. Nesse contexto, o enredo do “julgamento penal” é uma falsificação da realidade. Em apertada síntese, o fato é descontextualizado, redefinido, adquire tons sensacionalistas e passa a ser apresentado, em uma perspectiva maniqueísta, como uma luta entre o bem e o mal, entre os mocinhos e os bandidos. O caso penal passa a ser tratado como uma mercadoria que deve ser atrativa para ser consumida. A consequência mais gritante desse fenômeno passa a ser a vulnerabilidade a que fica sujeito o vilão escolhido para o espetáculo.”

Devo ficar com pena dos brasileiros?
Devo acreditar em alguém ou em alguma coisa?
Devo confiar em quem, na Justiça ou no Facebook?

Ler na íntegra: http://www.vermelho.org.br/noticia/275676-1