*A Privataria Parte Para a Educação

Extraído na íntegra do site RBA: http://twixar.me/bM8

por Cida de Oliveira, da RBA

FECHAMENTO DE ESCOLAS

‘Reorganização é parte de plano privatista’, diz diretor da Faculdade de Educação da Unicamp

Para Luiz Carlos Freitas, longe de ser ‘trapalhada impensada’ do secretário da Educação, Herman Voorwald, projeto de Geraldo Alckmin (PSDB) destrói a escola pública e não vai trazer avanço
por Cida de Oliveira, da RBA publicado 24/11/2015 19:47, última modificação 25/11/2015 14:00
ROBERTO PARIZOTTI/CUT/FOTOS PÚBLICAS
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São Paulo – Com o argumento de melhorar a qualidade da educação, o governo de Geraldo Alckmin (PSDB) vai fechar mais de 90 escolas, reorganizar em ciclos metade da rede e implementar escolas de tempo integral na outra metade. Tais objetivos, que constam do Plano Estadual de Educação, nada têm de pedagógico, segundo o professor Luiz Carlos de Freitas, diretor da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

De acordo com ele, a estratégia 6.7, que trata do Ensino em Tempo Integral, indica as intenções privatistas do governo: estimular, em regime de colaboração, a apropriação dos espaços e equipamentos públicos e privados, articulando ações entre esses e as escolas, de forma a viabilizar a extensão do tempo de permanência do aluno em atividades correlacionadas ao currículo – daí a necessidade de escolas de ciclo único.

Para Freitas, que juntamente com outros professores da Unicamp assinou moção de repúdio contra a reorganização, Alckmin aposta na privatização da educação como algo inovador, capaz de resolver os problemas, com vistas a 2018, quando pretende disputar a Presidência da República.

“No entanto, políticas semelhantes adotadas em outros países pelos reformadores empresariais da educação não resolveram a questão da educação por lá”, afirma Freitas. Nos Estados Unidos, conforme diz, há dez anos as médias dos estudantes americanos patinam em avaliações internacionais como o Pisa (sigla em inglês paraPrograma Internacional de Avaliação de Estudantes), uma avaliação aplicada a alunos na faixa dos 15 anos, em que se pressupõe o término da escolaridade básica obrigatória na maioria dos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

“Do mesmo modo, a Suécia e a Austrália, que privatizaram, caíram no Pisa. O Chile está dando marcha a ré nessas políticas que destroem a escola pública e não produzem avanço. Portanto, não resolverá aqui também.”

Por que privatização requer escolas reorganizadas? Não é possível terceirizar sem reorganizar?

Não é só pela terceirização que a privatização pode ser conduzida. A experiência norte-americana mostra que pode ser pela terceirização da gestão propriamente dita, via concessões, passando pela oferta de vouchers(recursos dados diretamente aos pais para que escolham as escolas de seus filhos), sistemas de ensino apostilados, pagamento por bonificação, redução do tamanho das escolas (downsizing) maiores em escolas menores, fechamento e reorganização.

Em São Paulo, a privatização já vem sendo implementada há algum tempo no ensino médio através do modelo de escola de tempo integral do Instituto de Corresponsabilidade Educacional, que conduziu método semelhante em Pernambuco. Quem paga esta conta são empresários paulistas. Agora, há a segunda etapa de reorganização das escolas. A primeira foi em 1995, que fechou cerca de 150 escolas. Processo semelhante foi conduzido pela prefeitura da Cidade de Nova York no início dos anos 2000 associado à crescente terceirização das escolas, com financiamento de Bill Gates. O empresário investiu US$ 2 bilhões na ideia do downsizing de escolas. Como os resultados não corresponderam ao esperado, ele cessou a linha de apoio.

E aqui?

Nas atuais condições do estado, com o sistema empacado há mais de uma década, o governo Alckmin vai caminhar nesta direção. Afinal, o governador é candidato à Presidência da República em 2018 e tem de chegar lá com algum diferencial na área. O governo chegou a divulgar um documento simplório que seria a base do processo de reorganização. Apesar de o documento ter a ver com a reorganização, entendo que não revela todo o plano que está em curso. Quem tem o plano são as consultorias privadas Mckinsey e Falconi, que assessoram o governo e são pagas por empresários.

O ensino integral de Alckmin teria intenção meramente privatista?

O projeto escola integral é um processo de privatização apoiado pelo empresariado sob condução do Instituto de Corresponsabilidade Educacional que cuidou da implantação de uma experiência de escolas charters(escolas públicas administradas por entidades privadas) em Pernambuco. Ele está no Ceará também. Reorganizar as escolas é alicerçar a casa para novos passos, como “escolha da escola pelo aluno”, apoiado emvouchers, terceirização de gestão via charters, ou ambos.

É possível ainda que as escolas que o governo diz que são sediar escolas técnicas venham a ser transferidos para a iniciativa privada ou ONGs, para cursos de qualificação profissional, muito semelhante à Magnet School, dos Estados Unidos. Elas nasceram para tentar reduzir a brecha entre estudantes ricos e pobres. No entanto, esta linha seria paralela à privatização do ensino médio em si.

Essa articulação com o setor privado precisa de espaço para ser concretizada, já que esses atores não vão construir escolas. Daí a reorganização, que combina municipalização com “fechamento” de escola, ou seja, mudança da finalidade da ocupação do prédio. As escolas “fechadas” acolheriam os cursos técnicos de ONGs.

É comum fechar escolas?

Nos Estados Unidos as escolas são fechadas às dezenas, por não atingirem metas especificadas. Não vejo como ser feito isso neste momento em São Paulo. Mas a médio prazo isso também poderia ser um dos desdobramentos que alimentaria tanto a terceirização via charters, como a própria eliminação de escolas, com venda de prédios e redução de custos. Em Nova York, as escolas charters ocupam prédios de escolas que foram “fechadas”. Somente agora, o atual prefeito está obrigando-as a pagar aluguel. E lá, como o mercado já está constituído, há ONGs com fins lucrativos – ganham duas vezes, primeiro cobram o custo-aluno do governo e segundo não pagam aluguel.

Até onde vai o domínio das empresas sobre a educação?

No currículo. A flexibilização curricular é também proposta, pois abre mais espaço para as parcerias com o setor privado, que passam a atingir diretamente as atividades correlacionadas ao currículo. A lógica empresarial passa a orientar ainda mais a organização da escola. Não à toa, a meta 22, do Plano Estadual de Educação apresentado pelo governo, que dispõe sobre a implementação do “novo modelo de ensino médio, com organização curricular flexível e diversificada” assume todo o linguajar empresarial, colocando como meta para o ensino médio, garantir “acesso ao conhecimento como instrumento para a cidadania, o desenvolvimento de competências e habilidades, necessárias ao prosseguimento de estudos e que favoreçam a empregabilidade”.

Existe a possibilidade de professores da rede paulista virem a ser contratados por meio de OSs?

A questão dos professores deverá passar por uma completa reformulação nos próximos anos, na esteira dos processos de privatização. Primeiro, há o fator terceirização, ou seja, a contratação passaria a ser feita pela terceirizada e com isso o estado se desentende do assunto. Depois, o próprio estado deverá caminhar para a criação de uma carreira paralela e talvez optativa que seria oferecida aos professores, mas com contrato CLT e portanto sem estabilidade. Essas políticas acreditam que a estabilidade no emprego é nefasta, pois contraria a lógica do mercado baseada no mérito.

O governo não vê os professores como parte da solução. Para ele, os professores são o problema. Portanto, acredito que serão duramente atingidos por essas políticas. Com a contratação de sistemas de ensino privados para as escolas públicas, a tarefa do professor tenderá a ser redesenhada para menos, como uma espécie de um “instrutor” de sala de aula, seguidor de apostilas. Para esta função, você não precisará de professores superformados. Na outra ponta, é possível que se caminhe no Brasil para o formato de certificação de professores via provas do tipo OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Isso flexibilizaria as agências formadoras de professores que hoje se encontram concentradas nas faculdades e universidades. É um processo lento de destruição do magistério e da escola pública.

O fechamento é, então, a ponta do iceberg. Que futuro o sr. vislumbra caso prevaleça esse projeto?

Toda esta política já foi utilizada em outros países pelos reformadores empresariais da educação e não resolveu a questão da educação por lá. Os Estados Unidos estão na média do Pisa há dez anos e não saem daí. Na “Prova Brasil” deles, pela primeira vez em muitos anos, as médias caíram em quase todas as avaliações e anos. A Suécia privatizou e caiu no Pisa. A adoção de políticas similares na Austrália resultou em queda no Pisa. O Chile está dando marcha à ré nestas políticas. Essas políticas destroem a escola pública e não produzem avanço. Portanto, não resolverá aqui também. Perderemos uma ou mais décadas para depois voltarmos ao ponto inicial, ou seja, ao que temos hoje piorado, pois teremos deixado de apostar em outras vias que poderiam nos levar mais longe.

O que acha de haver resistência?

No início, não creio que haverá uma resistência organizada dos professores e alunos a essas políticas, embora possamos nos surpreender. É o que está ocorrendo com a reorganização nas escolas hoje, que já conta com mais de 100 ocupadas. Mas à medida que essas políticas vão sendo implantadas, elas vão produzir efeitos (conhecidos) que gerarão a própria reação a elas. Esta reação virá dos estudantes, pais, professores e até mesmo de gestores. Elas abrirão novas contradições nas redes às quais mobilizarão as pessoas em defesa da escola pública de gestão pública. Uma dessas reações é o boicote que só neste ano no estado de Nova York levou mais de 200 mil pais a retirar seus filhos das avaliações de larga escala.

Então as chances de recuo do governo frente às ocupações são mínimas?

Tenho dúvidas se o governo vai recuar. Está em jogo 2018. Alckmin não pode chegar lá sem nada. Além disso, a Secretaria da Educação está cercada pelos empresários que querem a adoção dessas políticas. Note que na negociação com os estudantes, Herman (Voorwald), o secretário de Educação, disse que levaria a demanda dos alunos “para o governador”. Ou seja, a questão é de Estado para Alckmin e só ele poderia ordenar um recuo. Já não é o secretário que está conduzindo a implantação. Tudo depende do crescimento do movimento estudantil e do desgaste imposto ao governo.

Qual será o destino das ocupações?

Uma das maneiras que o governo poderá usar é enfrentar os estudantes e deixar que se desgastem nas escolas ocupadas e ir fazer a reorganização com aquelas cidades que não tenham ocupação de escolas. A tentativa de reintegração de posse parece que não está funcionando junto aos Tribunais e geraria um custo político muito grande, penso.

As consultorias que estão assessorando o governo devem tê-lo alertado de como este processo foi feito em outros países e das reações que apareceriam. Nada do que está acontecendo está sendo exatamente uma surpresa para o governo. Não deve ser visto como uma “trapalhada” do secretário de Educação, impensada. Há um plano, e ele é organizado pelas consultorias privadas que assessoram a secretaria, pagas por empresários.

Leia também:

MEC-USAID. O Acordo Que Entregou As diretrizes Da Educação Brasileira Aos EUA Em 1968 https://radioproletario.wordpress.com/2015/08/20/mec-usaid-o-acordo-que-entregou-as-diretrizesa-educacao-brasileira-aos-eua-em-1968/
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*Privatizações e o Quanto o Brasil Perdeu Nas Décadas 80/90/00

http://www.istoe.com.br/reportagens/31433_ESPERTEZA+PRIVADA

Esperteza privada

Com pouco dinheiro e muita artimanha jurídica, o Banco Opportunity lucra com a compra de estatais, mas está na mira da Justiça

ANDRÉ VIEIRA E LIANA MELO

A privatização mostrou ser boa para o Brasil. Mas melhor ainda para uns poucos brasileiros. Aos 44 anos, o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, é a grande estrela deste grupo. Com a formação de engenheiro e a especialidade em economia, Dantas construiu sua fama como um astuto arquiteto das finanças, capaz de projetar intrincados consórcios que arrematam estatais com enormes somas de dinheiro alheio. Feito o negócio, vende a operação e sai com um polpudo lucro. É tido como um daqueles gênios das finanças que montam suas engenhocas nas brechas fornecidas pela lei. Coincidência ou não, conta com a colaboração de alguns dos formuladores das regras de privatização, que passaram para o outro lado do balcão e emprestam seu talento ao próprio Opportunity, caso da economista Elena Landau. A contragosto, o banqueiro está novamente em evidência por suas relações com a cúpula do poder graças às novas gravações do grampo do BNDES, nas quais até o presidente Fernando Henrique Cardoso admite usar sua autoridade em favor da entrada da Previ – o poderoso fundo de pensão do Banco do Brasil – no consórcio liderado por Dantas na venda dos filhotes da Telebrás. A desenvoltura de Dantas no círculo de poder é tão surpreendente como a maneira com que empilha estatais no Opportunity, uma companhia de investimentos criada no final de 1993, que tem sob seu guarda-chuva uma dezena de empresas privatizadas.

Amigo do senador Antônio Carlos Magalhães, o cacique do PFL, Daniel Dantas já era rico quando fundou o Opportunity. Administrava cerca de US$ 70 milhões, mas rapidamente tornou-se um bilionário gestor de investimentos. Hoje tem poder sobre mais de US$ 3 bilhões, dos quais US$ 1,4 bilhão provêm das empresas privatizadas. Seu apetite, no entanto, não foi saciado. Mesmo com o empenho presidencial no megaleilão de julho do ano passado, o banqueiro não levou o que queria. Acabou com o controle da Tele Centro-Sul, enquanto o consórcio Telemar arrematava a Tele Norte-Leste, porção de telefonia que engloba 16 operadoras do Rio ao Amazonas. Dantas não desistiu de concretizar sua empreitada. Numa prova cabal do pragmatismo do mundo dos negócios, ele planeja se associar aos antigos rivais, qualificados nas conversas grampeadas de “corporativistas e aventureiros”. Sua estratégia agora é atacar os sócios mais fracos e tirar o controle da Telemar das mãos do empresário Carlos Jereissati. O problema é que Jereissati não quer ver o Opportunity de Daniel Dantas por perto. E tem força para isso: é presidente do Conselho de Administração e maior acionista individual da empresa, depois do BNDESPar.

Ainda que temporariamente fora da Tele Norte-Leste, Dantas se contentou em colocar em prática na Tele Centro-Sul uma de suas clássicas obras de arquitetura financeira, onde o banqueiro entra com muito tutano e pouco dinheiro. De acordo com reportagem publicada por ISTOÉ, em agosto, o Opportunity pagou um valor irrisório para deter o controle da companhia, enquanto os fundos de pensão, novamente liderados pela Previ, injetaram a maior parte do R$ 1,950 bilhão oferecido no leilão. A artimanha consiste em comprar a preço baixo as ações ordinárias (com direito a voto e que garantem o controle da empresa), enquanto os sócios capitalistas pagam alto por ações preferenciais, as primeiras a receber dividendos. Segundo cálculos de um especialista em direito societário que prefere se manter no anonimato, a megaoperação deverá render a Dantas até R$ 400 milhões dentro de cinco anos, quando ele estará liberado por lei para revender o controle da empresa. Não por acaso, o banqueiro ainda luta para entrar de alguma maneira na Telemar. Afinal, ao arrematar a Tele Centro-Sul, o consórcio liderado pelo próprio Opportunity ficou impedido de oferecer R$ 5,1 bilhões pela Tele Norte-Leste, uma fatia mais valiosa da telefonia e, portanto, mais lucrativa. Se a mesma artimanha jurídico-financeira fosse aplicada, o ganho futuro de Dantas poderia atingir a casa do R$ 1 bilhão.

Atrás da Inepar Passados dez meses do leilão, quem está agora em dificuldades é Jereissati – e Dantas tenta tirar vantagem disso. Ele sabe que os sócios privados da Telemar começaram uma romaria em busca de ajuda oficial para quitar, no início de agosto, a segunda parcela do pagamento do leilão: R$ 1,029 bilhão. “Os controladores vão ter recursos suficientes”, garante o presidente da empresa, Manoel Horácio da Silva. Mas, pelas beiradas, Dantas ataca os flancos mais fracos. Um deles é o empresário Atilano de Oms Sobrinho, da Inepar, que possui 12% do capital votante. Oms está endividado até o pescoço e luta para reunir os R$ 120 milhões de sua parte no pagamento. Depois de se aventurar investindo mais do que podia em uma rede mundial de telefonia por satélite, a Inepar tem de saldar neste ano dívidas que totalizam R$ 500 milhões.

A voracidade de Dantas, no entanto, poderá esbarrar na Justiça. O Ministério Público Federal deve enviar à Justiça do Rio um pedido de abertura de ação civil contra os principais envolvidos na tentativa de favorecimento do Opportunity: o ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros, o atual presidente do BNDES, José Pio Borges, e seu antecessor, André Lara Resende. Eles serão acusados de improbidade administrativa. A ação também poderá atingir Daniel Dantas. “Mesmo que não exerça cargo público, qualquer pessoa jurídica ou física que tenha participado ou se beneficiado das ilegalidades está sujeita à punição”, afirmou o procurador Rogério Nascimento. “Temos certeza de que houve improbidade administrativa, mas vou deixar o advogado Sérgio Bermudes na dúvida se entraremos com ação contra o Banco Opportunity.” Caso o banco seja condenado, não poderá mais fechar contratos com o setor público – e estaria alijado da privatização. “Vamos esperar a ação”, diz Bermudes, um dos advogados de Dantas. Advogado, aliás, é o que não falta ao banqueiro. Segundo estimativas, ele gasta cerca de R$ 500 mil mensais para manter-se como cliente dos mais renomados escritórios do País. “É a tripla blindagem”, costuma resumir o banqueiro.

A estratégia de Daniel Dantas para comprar estatais inclui ainda boa informação e agilidade. Ao adquirir cerca de 40% da participação da Sanepar, a companhia de saneamento básico do Paraná, o Opportunity entrou sozinho num processo que se desenrolou numa velocidade incompatível para os padrões brasileiros. Em menos de dez dias, a lei que permitia a venda de ações passou pela Assembléia Legislativa e o leilão ocorreu cinco meses depois. “Não houve nenhuma fase preliminar, foi rápido demais”, espanta-se Christopher Akli, ex-executivo do grupo vencedor. “Acredito que o governo tinha alguma conta para pagar e precisava do dinheiro rapidamente.” Mas alguns contratos posteriores são hoje questionados. Assim como já ocorrera na Cemig, a energética de Minas Gerais que também está entre as jóias do Opportunity, criou-se na Sanepar um acordo de acionistas no qual o governo, o maior acionista, abre mão do direito de controlar os principais cargos da diretoria. “Isso é lesivo aos direitos da população”, diz César Vieira, presidente do sindicato dos urbanitários. Pelo acordo, os novos acionistas podem eleger por 15 anos os diretores superintendente, de operações e financeiro – os cargos mais importantes da companhia. “Isso reduz a atratividade da empresa, uma vez que ninguém injetaria dinheiro lá para virar uma espécie de rainha da Inglaterra”, diz uma fonte que avaliou o acordo de acionistas semelhante, firmado pela Cemig.

Apoio do Citi Dantas tem um gordo colchão financeiro a alavancar suas investidas na privatização. Graças à habilidade em montar uma extensa teia de ligações internacionais, ele está ligado a uma fonte quase inesgotável de dinheiro: o Citigroup, a maior instituição financeira do mundo. Os dois grupos constituíram em 1997 um fundo de investimento internacional criado para comprar estatais no Brasil, o CVC/Opportunity, um instrumento conhecido no mundo das finanças como private equity. Ficou estabelecido ainda que qualquer investimento acima de US$ 25 milhões da instituição americana neste segmento passaria obrigatoriamente pelo crivo do Opportunity. Inicialmente, o fundo tinha aproximadamente US$ 1 bilhão, dos quais apenas o Citibank colocava US$ 250 milhões e obrigava-se a levantar outros US$ 350 milhões de investidores internacionais. Por sua vez, o Opportunity de Dantas tinha de passar o chapéu nos velhos conhecidos fundos de pensão, coletando US$ 347 milhões. Sua fatia consistia em injetar no mínimo US$ 30 milhões, podendo chegar até US$ 100 milhões. Tal foi o sucesso do fundo adquirindo várias participações de estatais que o Citibank decidiu renovar o aporte, com mais US$ 1 bilhão. Calçado com a maior instituição financeira de um lado e os maiores investidores domésticos do outro, Dantas se transformou no papão das privatizações brasileiras. Ao banqueiro, só interessa o comando, sempre obtido com pouco dinheiro próprio. Ele sabe que, no futuro, este poder em empresas estratégicas de infra-estrutura valerá ouro. Aí, então, Dantas detonará a segunda fase do leilão, uma espécie de privatização particular. Mas desta vez os lucros não irão para os cofres do Estado.

Colaboraram: László Varga (RJ) e Maria Fernanda Delmas (SP)

 

Todos os negócios de Daniel Dantas nos leilões
Escelsa
Companhia de Energia Elétrica do Espírito Santo.
Investimento total de R$ 322,9 milhões (julho de 1995).
Opportunity e Citibank: R$ 36,6 milhões (52,2% do controle acionário).Vale do Rio Doce
Maior produtora de minério de ferro do mundo.
Investimento total de R$ 3,351 bilhões (maio de 1997).
Opportunity e Citibank: R$ 100 milhões (5,6% do controle acionário).Cemig
Companhia Energética de Minas Gerais.
Investimento total de R$ 1,122 bilhão (maio de 1997).
Opportunity: R$ 48 milhões (1,4% do controle).Americel
Operadora da banda B celular da região Centro-Oeste
Investimento total de R$ 294,5 milhões (junho de 1997).
Opportunity e Citibank: R$ 33 milhões (11,6% do controle).
Sócios: Banco do Brasil, BNDESPar, Bell Canadá, Telesystem e fundos de pensão.

Porto de Santos
Maior terminal de contêineres da América Latina.
Investimento total de R$ 274 milhões (setembro de 1997).
CVC/Opportunity: R$ 32,8 milhões (55% do controle).
Sócios: Fundos de Pensão Previ e Sistel e Multiterminais: R$ 241,2 milhões (45% do controle).

Metrô do Rio
Mais de 350 mil pessoas circulam diariamente.
Investimento total de R$ 291,7 milhões (janeiro de 1998).
CVC/Opportunity: tem 51% do controle. Pagou 30% à vista com moedas podres e o resto pago sem juros pelos 20 anos de concessão.

Telet
Operadora da banda B celular no Rio Grande do Sul.
Investimento total de R$ 354 milhões (abril de 1998).
Opportunity e Citibank:R$ 43 milhões (12,3% do controle)
Sócios: Banco do Brasil, BNDESPar, Bell Canadá, Telesystem e fundos de pensão.Sanepar
Empresa de águas e esgoto do Paraná.
Investimento total de R$ 249,8 milhões (junho de 1998).
CVC/Opportunity: R$ 56 milhões.
Sócios: Grupo Vivendi, Andrade Gutierrez e Copel: R$ 193,8 milhões.Tele Centro-Sul
Holding controladora das operadoras de telefonia fixa nas regiões Sul e Centro-Oeste.
Investimento total de R$ 2,070 bilhões (agosto de 1998).
CVC/Opportunity: R$ 401,1 milhões (51% do controle).
Sócios: Fundos de Pensão Previ, Sistel, Funcef, Petros e Telos e Stet: R$ 1,669 bilhão.Telemig Celular
Operadora de telefonia móvel de Minas Gerais.
Investimento total de R$ 756 milhões (agosto de 1998).
CVC/Opportunity: R$ 99,8 milhões (51% do controle).
Sócios: Telesystem e fundos de Pensão Previ, Sistel, Funcef, Petros e Telos: R$ 656,2 milhões.

Tele Norte Celular
Cinco operadoras de telefonia móvel do Nordeste.
Investimento total de R$ 188 milhões (agosto de 1998).
CVC/Opportunity: R$ 21,4 milhões (51% do controle)
Sócios: Telesystem e fundos de Pensão Previ, Sistel, Funcef, Petros e Telos: R$ 166,6 milhões.

Um prodígio das finanças

Baiano de nascimento e carioca de coração, Daniel Valente Dantas chegou ao Rio logo após se formar em Engenharia pela Universidade Federal da Bahia. Especializou-se em Economia na Fundação Getúlio Vargas e, nessa época, acabou apontado como um dos pupilos de Mário Henrique Simonsen, que mais tarde o aproximaria de Antônio Carlos Magalhães. Dos bancos de escola saiu direto para o grupo Bradesco, onde chegou até a vice-presidência de investimentos em 1985. Quando seu mestre no mundo das finanças, Antônio Carlos Almeida Braga, o Braguinha, saiu do Bradesco para montar o próprio negócio, Daniel Dantas o acompanhou. De 1986 a 1993, transformou-se no principal executivo do Banco Icatu. A parceria com os irmãos Kati e Luis Antônio Almeida Braga acabou quando Daniel Dantas partiu para carreira solo. Estava formado o Opportunity Asset Managment.

Os laços com ACM foram estreitados por conta da empatia imediata surgida entre o jovem economista e o filho do senador, Luís Eduardo Magalhães. Bem articulado e já com a fama de gênio das finanças, Dantas acabou sendo escolhido como consultor financeiro número 1 de ACM. A tal ponto que, na época da crise do Banco Econômico, foi encarregado pelo cacique político baiano de negociar uma solução com o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e o então presidente do Banco Central, Gustavo Loyola. De ACM para o PFL foi um pulo. Não há seminário do partido no qual ele não compareça. “A diferença que o Daniel Dantas tem é ser muito inteligente. Há gente com inveja disso”, define o presidente do Banco Safra, Carlos Alberto Vieira. Se coleciona uma legião de admiradores, Dantas é apontado por alguns como um banqueiro traiçoeiro e perigoso. Engrossando o rol daqueles que já começam a duvidar do brilhantismo do banqueiro estaria o próprio ACM, segundo um importante executivo do mercado financeiro. É que Daniel Dantas teria dado uma dica errada ao senador, causando-lhe um recente prejuízo. Se não bastassem as brigas que comprou no mundo dos negócios, Dantas poderia estar perdendo o padrinho político, que já estaria pensando em abandonar o afilhado às feras.

Colaboraram: László Varga (RJ) e Maria Fernanda Delmas (SP)

Extraído do site: ISTOEIndependente: http://www.istoe.com.br/reportagens/31433_ESPERTEZA+PRIVADA

*O Sonho Americano Virou Pesadelo

Extraído na íntegra de : http://www.revistaforum.com.br/blog/2013/12/sonho-americano-conheca-10-fatos-chocantes-sobre-os-eua/

Maior população prisional do mundo, pobreza infantil acima dos 22%, nenhum subsídio de maternidade, graves carências no acesso à saúde… bem-vindos ao “paraíso americano”

Por Pragmatismo Político

Os EUA costumam se revelar ao mundo como os grandes defensores das liberdades, como a nação com a melhor qualidade de vida do planeta e que nada é melhor do que o “american way of life” (o modo de vida americano). A realidade, no entanto, é outra. Os EUA também têm telhado de vidro como a maioria dos países, a diferença é que as informações são constantemente camufladas. Confira abaixo 10 fatos pouco abordados pela mídia ocidental.

1. Maior população prisional do mundo

Elevando-se desde os anos 80, a surreal taxa de encarceramento dos EUA é um negócio e um instrumento de controle social: à medida que o negócio das prisões privadas alastra-se como uma gangrena, uma nova categoria de milionários consolida seu poder político. Os donos destas carcerárias são também, na prática, donos de escravos, que trabalham nas fábricas do interior das prisões por salários inferiores a 50 cents por hora. Este trabalho escravo é tão competitivo, que muitos municípios hoje sobrevivem financeiramente graças às suas próprias prisões, aprovando simultaneamente leis que vulgarizam sentenças de até 15 anos de prisão por crimes menores como roubar chicletes. O alvo destas leis draconianas são os mais pobres, mas, sobretudo, os negros, que representando apenas 13% da população norte-americana, compõem 40% da população prisional do país.

2. 22% das crianças americanas vive abaixo do limiar da pobreza.

Calcula-se que cerca de 16 milhões de crianças norte-americanas vivam sem “segurança alimentar”, ou seja, em famílias sem capacidade econômica para satisfazer os requisitos nutricionais mínimos de uma dieta saudável. As estatísticas provam que estas crianças têm piores resultados escolares, aceitam piores empregos, não vão à universidade e têm uma maior probabilidade de, quando adultos, serem presos.

3. Entre 1890 e 2012, os EUA invadiram ou bombardearam 149 países.

O número de países nos quais os EUA intervieram militarmente é maior do que aqueles em que ainda não o fizeram. Números conservadores apontam para mais de oito milhões de mortes causadas pelo país só no século XX. Por trás desta lista, escondem-se centenas de outras operações secretas, golpes de Estado e patrocínio de ditadores e grupos terroristas. Segundo Obama, recipiente do Nobel da Paz, os EUA conduzem neste momente mais de 70 operações militares secretas em vários países do mundo.

O mesmo presidente criou o maior orçamento militar norte-americano desde a Segunda Guerra Mundial, superando de longe George W. Bush.

4. Os EUA é o único (grande ?) país da ocidente que não oferece qualquer tipo de subsídio de maternidade.

Embora estes números variem de acordo com o Estado e dependam dos contratos redigidos por cada empresa, é prática corrente que as mulheres norte-americanas não tenham direito a nenhum dia pago antes ou depois de dar à luz. Em muitos casos, não existe sequer a possibilidade de tirar baixa sem vencimento. Quase todos os países do mundo oferecem entre 12 e 50 semanas pagas em licença maternidade. Neste aspecto, os Estados Unidos fazem companhia à Papua Nova Guiné e à Suazilândia.

5. 125 norte-americanos morrem todos os dias por não poderem pagar qualquer tipo de plano de saúde.

Se não tiver seguro de saúde (como 50 milhões de norte-americanos não têm), então há boas razões para temes ainda mais a ambulância e os cuidados de saúde que o governo presta. Viagens de ambulância custam em média o equivalente a 1300 reais e a estadia num hospital público mais de 500 reais por noite. Para a maioria das operações cirúrgicas (que chegam à casa das dezenas de milhar), é bom que possa pagar um seguro de saúde privado. Caso contrário, a América é a terra das oportunidades e, como o nome indica, terá a oportunidade de se endividar e também a oportunidade de ficar em casa, torcendo para não morrer.

6. Os EUA foram fundados sobre o genocídio de 10 milhões de nativos. Só entre 1940 e 1980, 40% de todas as mulheres em reservas índias foram esterilizadas contra sua vontade pelo governo norte-americano.

Esqueçam a história do Dia de Ação de Graças com índios e colonos partilhando placidamente o mesmo peru em torno da mesma mesa. A História dos Estados Unidos começa no programa de erradicação dos índios. Tendo em conta as restrições atuais à imigração ilegal, ninguém diria que os fundadores deste país foram eles mesmos imigrantes ilegais, que vieram sem o consentimento dos que já viviam na América. Durante dois séculos, os índios foram perseguidos e assassinados, despojados de tudo e empurrados para minúsculas reservas de terras inférteis, em lixeiras nucleares e sobre solos contaminados. Em pleno século XX, os EUA iniciaram um plano de esterilização forçada de mulheres índias, pedindo-lhes para colocar uma cruz num formulário escrito em idioma que não compreendiam, ameaçando-as com o corte de subsídios caso não consentissem ou, simplesmente, recusando-lhes acesso a maternidades e hospitais. Mas que ninguém se espante, os EUA foram o primeiro país do mundo oficializar esterilizações forçadas como parte de um programa de eugenia, inicialmente contra pessoas portadoras de deficiência e, mais tarde, contra negros e índios.

7. Todos os imigrantes são obrigados a jurarem não ser comunistas para poder viver nos EUA.

Além de ter que jurar não ser um agente secreto nem um criminoso de guerra nazi, vão lhe perguntar se é, ou alguma vez foi membro do Partido Comunista, se tem simpatias anarquista ou se defende intelectualmente alguma organização considerada terrorista. Se responder que sim a qualquer destas perguntas, será automaticamente negado o direito de viver e trabalhar nos EUA por “prova de fraco carácter moral”.

8. O preço médio de uma licenciatura numa universidade pública é 80 mil dólares.

O ensino superior é uma autêntica mina de ouro para os banqueiros. Virtualmente, todos os estudantes têm dívidas astronômicas, que, acrescidas de juros, levarão, em média, 15 anos para pagar. Durante esse período, os alunos tornam-se servos dos bancos e das suas dívidas, sendo muitas vezes forçados a contrair novos empréstimos para pagar os antigos e assim sobreviver. O sistema de servidão completa-se com a liberdade dos bancos de vender e comprar as dívidas dos alunos a seu bel prazer, sem o consentimento ou sequer o conhecimento do devedor. Num dia, deve-se dinheiro a um banco com uma taxa de juros e, no dia seguinte, pode-se dever dinheiro a um banco diferente com nova e mais elevada taxa de juro. Entre 1999 e 2012, a dívida total dos estudantes norte-americanos cresceu à marca dos 1,5 trilhões de dólares, elevando-se assustadores 500%.

9. Os EUA são o país do mundo com mais armas: para cada dez norte-americanos, há nove armas de fogo.

Não é de se espantar que os EUA levem o primeiro lugar na lista dos países com a maior coleção de armas. O que surpreende é a comparação com outras partes do mundo: no restante do planeta, há uma arma para cada dez pessoas. Nos Estados Unidos, nove para cada dez. Nos EUA podemos encontrar 5% de todas as pessoas do mundo e 30% de todas as armas, algo em torno de 275 milhões. Esta estatística tende a se elevar, já que os norte-americanos compram mais de metade de todas as armas fabricadas no mundo.

10. Há mais norte-americanos que acreditam no Diabo do que os que acreditam em Darwin.

A maioria dos norte-americanos são céticos. Pelo menos no que toca à teoria da evolução, já que apenas 40% dos norte-americanos acreditam nela. Já a existência de Satanás e do inferno soa perfeitamente plausível a mais de 60% dos norte-americanos. Esta radicalidade religiosa explica as “conversas diárias” do ex-presidente Bush com Deus e mesmo os comentários do ex-pré-candidato republicano Rick Santorum, que acusou acadêmicos norte-americanos de serem controlados por Satã.

*Isis – Daesh. Como nasceu – O Que o Alimenta

*O Isis (Daesh) nasceu no Iraque, no calor da ocupação estadunidense. E na fragmentação /desmantelamento ideológico das forças armadas iraquianas pelos EUA. Este desequilíbrio de forças, contribuiu para fortalecer a guerra síria. Este cenário foi fundamental para o crescimento do daesh.

*Turquia e Arábia Saudita, aliados do Ocidente, são territórios epicentricos de financiamento do ISIS. A Turquia tem permitido o fluxo de caminhões que atravessam sua fronteira, carregados com petróleo, a partir dos campos petrolíferos da Síria, estes campos sirios são controlados pelo estado islâmico atualmente.

*O ISIS enfraqueceu após o inicio dos ataques russos em outubro de 2015 (foram-lhes destruidos parte de seus depositos de armas e sua logística para entrada e saída de petróleo). Porém manteve ocupados territérios inimigos de Israel, da Turquia e da Arábia Saudita.

-O início do que viria a ser o ISIS

Os antecedentes que levaram ao ISIS, surgiram no contexto da ocupação do Iraque

-O contexto no Iraque

Milhares de iraquianos foram encarcerados em prisões secretas estadunidenses, onde eram torturados diariamente. Alguns  desapareceram para sempre. Outros reapareceram anos mais tarde, mutilados fisicamente e mentalmente pela tortura, com um forte padrão de sobrevivencia, uma fé inabalável e uma alta aptidão para o extremismo religioso

Grupo da prisão de; Camp Bucca

Abu Baker Al Baghdadi, que se tornou em 2010 o líder do estado islâmico do Iraque, foi preso pelos americanos em 2004 na cidade de Fallujah. Fallujah foi duramente atingida pelas forças de ocupação, que, bombardearam casas, mercados, escolas, hospitais, etc.. Para esta ocupação, empregaram entre outras armas; o fósforo branco, altamente proibido no dito “mundo civilizado”.

-As revoltas no Iraque

Em 2010, em um Iraque totalmente quebrado, iniciou-se um movimento pacífico de protesto contra o governo central, que tomou o poder após a eclosão das revoltas na Tunísia e no Egito em 2011

-O estado islâmico na Síria

A repressão do governo iraquiano contra todos os tipos de reclamação ou protesto aumentou e levou alguns setores da oposição ao extremismo. O mesmo aconteceu na Síria, onde os tumultos irromperam em março 2011

-A ascensão do isis

Em 2014, o estado islâmico se fortalece na Síria e no Iraque. Milhares de homens do isis armados e protegidos com humvees e tanques, tomaram várias cidades iraquianas com pouca resistência

-Tomando mais território

Grupos sunitas de origens diversas, unidos apenas por um inimigo comum, integraram as fileiras do daesh. O isis tomou várias cidades iraquianas e chegou muito perto de Bagdá, apenas encontrando resistência por parte do exército iraquiano, (exército este, marcado pela corrupção). Os soldados fugiram, não havia armamento para freiar a investida do daesh. Os únicos que fizeram algo para impedir [o daesh] foram; o exército iraniano (até onde conseguiu) e as milícias xiitas; confessou recentemente o ex-ministro da Defesa iraquiano Ali Allawi, em documentário da tv Al Jazeera.

-As vistas grossas e o finaciamento

O Daesh é visto por alguns atores regionais, (Israel, Turquia, Arábia Saudita, etc) como uma arma potencial contra o Irã. Ele manteve fraco o regime xiita no Iraque e mantem ocupados os grupos inimigos de Israel como o Hezbollah. Na Síria o daesh luta contra varios grupos de oposição. A turquia tem feito vistas grossas ao daesh. Erdogan utiliza o grupo extremista radical para deter a influencia dos curdos na região. Por exemplo: Erdogan permite a entrada do daesh em seu território, tem bombardeado as Ypg curdas (unidades de proteção popular), quando estes ataques deveriam ser dirigidos ao daesh, Erdogan também tem permitido o trafego de caminhões, que, cruzam suas fronteiras carregados de petróleo procedentes dos campos sírios controlados pelo daesh. Desta forma, Erdogan pensa evitar a possibilidade de uma soberania curda que luta contra o daesh e defende o seu território natural na turquia.  A compra do petróleo no mercado negro turco, tem sido uma das mais eficazes forma de financiamento do daesh, junto com as cobranças de grandes somas de dinheiro, pelo resgate de alguns sequestrados pelo isis. Também recebe apoio economico de milionários sauditas, tudo sobre as vistas grossas do regime de Riad. Esses individuos também fazem loby para que outros milionários apoem o daesh.

-A guerra contra o terror

Os aliados dos Eua na Síria, (na coalizão que bombardeia o pais), são entre outros a monarquia absolutista da Arabia Saudita, que segue apoiando o daesh a partir de seu pais. Os Eua e os sauditas operam juntos com os Emirados Arabes na coalização que bombardeia o Yemen, onde estão fomentando mais bases para o terrorismo, matando e mutilando a população civil no Yemen. A mesma situação anterior ocorrida no Iraque. Mostrando-nos que : Se todo este percurso não for modificado, o oriente médio pode se incendiar. E nos indicando que não se trata apenas de intervensões militares. Trata-se da questão da terra, da religião, das castas que não abrem mão do poder, do imperialismo israelí apoiado pelos Eua e aliados ocidentais e regionais, etc, etc, etc

 

Baseado em texto de: http://centrodeperiodicos.blogspot.com.br/2015/11/como-surge-el-isis-como-se-financia.html

*É possível um elo entre Mariana e Paris?

Extraido na íntegra do site: https://medium.com/jornalistas-livres/é-possível-um-elo-entre-mariana-e-paris-a4951bc85172

Por Fernando Castilho, do blog Análise e Opinião, colaboração para os Jornalistas Livres

Quando cheguei a uma certa idade comecei a fazer uma retrospectiva histórica, filosófica e sociológica do Brasil e do mundo, mais detidamente durante as décadas que vivi.

Óbvio, para mim, pelo menos, que principalmente a partir do fim da 2ª guerra mundial, com a disputa pela hegemonia no poder por Estados Unidos e União Soviética, o mundo começou a mudar e a se tornar no que é hoje.

Os Estados Unidos, para se impor ao bloco soviético, foram às últimas consequências para demonstrar que o sonho americano, o american way of life, o país livre, eram muito superiores ao que o comunismo pregava.

E realmente eram. Pelo menos do jeito que as coisas estavam acontecendo.

A publicidade extrapolou todos os limites ao explicitar ao bloco ocidental que, se as pessoas não consumissem sem parar, não contribuiriam para a manutenção do sistema.

A exploração de recursos naturais se impôs, uma vez que havia a necessidade de suprir a indústria de matéria-prima.

A proliferação de produtos eletro-eletrônicos exigiu a construção de mais e mais usinas, sejam elas hidráulicas, que destroem o meio ambiente ao redor, sejam elas termoelétricas, que poluem a atmosfera, ou nucleares que podem causar grande contaminação, como Chernobyl ou Fukushima.

A obsolescência programada pelas empresas fez com que as pessoas trocassem seus produtos por outros assim que modelos novos fossem sendo lançados ou assim que os “antigos’’ com mais de um ano de fabricação começassem a quebrar sem que o conserto fosse a opção mais econômica.

A Educação deixou de priorizar a produção de conhecimento, a pesquisa científica e o pensamento intelectual. Criou-se um funil destinado a selecionar somente aqueles que fossem capazes de ser úteis à manutenção do sistema. Aqueles que jamais perderiam seu tempo em reflexões acerca das conjunturas humanas, sociológicas, econômicas, filosóficas ou históricas, mas sim, o canalizariam em 100% para o crescimento das empresas em que trabalham.

Afinal, era prioritário que eles galgassem cargos mais altos nas empresas.

Aqueles que não passavam no funil ou que nem mesmo a chance tiveram de passar por ele, eram obrigados a viver suas vidas também de forma a alimentar o sistema, mas de outra forma. Seriam a mão-de-obra mais pesada das empresas, sempre nos postos inferiores.

Outros seriam excluídos totalmente por terem nascido em lares muito pobres e desestruturados, não tendo a chance nem sequer de pensar em entrar para o sistema. São os miseráveis hereditários do mundo, que nem sabem por que estão aqui. Muitos não veem outra opção para sobreviver senão entrar para o crime, que pode lhes garantir, pelo menos por algum tempo, a ilusão de viver como os do andar de cima.

A guerra fria acabou, mas o american way of life prosseguiu cavando o mundo cada vez mais avidamente, afinal, para alimentar o sistema e aumentar os lucros era imperativo extrair dele o máximo que se pudesse.

Marx previu tudo isso e mais, mas não vamos falar dele sob pena de que o texto seja acusado de comunista, muito em voga nos dias de hoje, certo?

Chegamos aos dias de hoje em que 1% da população mundial detém 50% de toda riqueza.

Como riqueza não se cria, apenas se transfere (numa adaptação livre de Lavoisier), não há como melhorar a vida dos restantes 99% sem melhorar a distribuição dessa riqueza. Mas esquece, isso não será feito. Thomas Piketty falou sobre isso em seu livro “O capital no século 21”.

Então o sistema criou uma casta de deuses que domina o mundo e uma multidão de simples fiéis. Alguns não serão fiéis, como se verá adiante.

Para aumentar os lucros os deuses tudo podem.

Pausa para uma história verídica.

Na década de 1970 a Ford americana lançou um automóvel chamado Ford Pinto, alguém se lembra?

Pois bem, o Ford Pinto tinha um erro de projeto. O tanque de combustível fora colocado atrás, muito próximo ao para-choques, o que fazia com que a cada colisão traseira, o tanque explodisse matando ou mutilando seus ocupantes.

A Ford foi processada por alguns familiares de vítimas.

Durante o julgamento, apareceu um memorando interno dando conta de um cálculo que a empresa fez.

Nesse cálculo, estimava-se que o custo para reparar o erro seria de 11 dólares por veículo.

A Ford estimou que, caso um certo número de vítimas a processasse e ganhasse, ainda assim seria mais barato manter o carro do mesmo jeito.

Chegamos a um ponto na História da humanidade em que a busca do lucro se sobrepõe facilmente à vida.

Por décadas esse sistema se infiltrou no nosso DNA, de forma que contestá-lo se torna heresia nos dias de hoje. Ao que tudo indica, vamos até o fim com ele, como o sapo que morre ao ser cozido lentamente na panela, quando teve oportunidade de sair. Sinto tristeza em ver que o mundo ocidental foi tomado por essa ideologia da qual não consegue escapar.

Tudo isso que foi escrito se destina a tentar explicar os acontecimentos de Mariana e de Paris.

Mariana

Em Mariana, subdistrito de Bento Rodrigues, o que aconteceu foi uma busca incessante por lucros em detrimento da segurança.

Burlas em laudos técnicos, fraudes, corrupção de agentes vistores e de governadores, tudo isso faz parte da rotina de uma grande empresa que só se preocupa com lucros.

Nenhuma barragem, obra de engenharia que deve ser bastante segura em seu projeto, se rompe da noite para o dia sem dar sinais antes.

Os sinais podem ter sido vários, desde fissuras no concreto até estalos bem altos.

A tragédia foi anunciada, mas ignorada, em nome de se obter maiores lucros pois a interrupção de funcionamento para reparos e manutenção teria custos.

Indo para Paris

Em 2013, apareceu o grupo auto-intitulado “Estado Islâmico”, o EI, com a pretensão de derrubar o regime de Bashar al-Assad, presidente da Síria. Barack Obama rapidamente, informado pela CIA, enxergou a possibilidade de ajudar o grupo na defenestração de Bashar al-Assad, para pretensamente colaborar para a instauração de um “governo democrático” no país, que lhe possibilitasse usufruir do petróleo ali existente.

Para não dar na vista, Obama divulgou à mídia que iria combater o EI. Pelo contrário, as armas que o grupo emprega são de fabricação norte-americana.

O grupo só fez crescer.

Quem se agregou ao grupo? Sim, os excluídos de vários países do mundo que viram em sua adesão ao EI uma oportunidade de fazer alguma coisa de suas vidas sem espaço no sistema em que vivem.

Vimos ingleses, franceses a até americanos ingressarem voluntariamente no EI.

A Rússia decidiu intervir e vem abrindo baixas significativas no EI. Obama não gostou.

Provavelmente em pouco tempo a Rússia consiga acabar com o Estado Islâmico.

O que aconteceu em Paris talvez seja um canto de cisne para o grupo.

Porém, o que aprendemos das lições passadas nos últimos dias?

Nada.

O mundo continuará a prosseguir na mesma trilha equivocada em que está, a fraternidade universal não será alcançada, outros “acidentes’’ ambientais ocorrerão, novos grupos de excluídos e inconformados surgirão e a humanidade está com seus dias, talvez décadas, contadas.

Alguém acha que sou muito pessimista, ou apenas realista?

Não há a mínima possibilidade de mudança.

Os deuses são como aquelas pessoas que tem carros blindados e que vivem em condomínios cercados por segurança extrema.

Desde que tenham sua própria segurança, que acabe o mundo ao redor.

Abre-se mais uma champanhe.


Originally published at bloganaliseeopiniao.blogspot.jp on November 15, 2015.

*Se fechar, vamos ocupar! Estudantes de SP dão o exemplo: ação direta contra o fechamento de turmas e escolas!

Retirado de: https://quebrandomuros.wordpress.com/2015/11/13/se-fechar-vamos-ocupar-estudantes-de-sp-dao-o-exemplo-acao-direta-contra-o-fechamento-de-turmas-e-escolas/

Já são seis escolas ocupadas em São Paulo contra a reorganização e o fechamento de turmas e colégios. As/os estudantes secundaristas sabem que só a ampliação da luta radical trará conquistas e permanecem nas ocupações, rodeadas de fardados da sangrenta PM paulista mas também de vigílias e acampamentos das comunidades e outros movimentos sociais. A justiça burguesa já autorizou a reintegração de posse na primeira escola ocupada- E.E. Fernão Dias – e a grande mídia prepara o terreno pra fazer a repressão descer mais suave na opinião pública.

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Os/as secundaristas tem construído um movimento autônomo e combativo, com diálogo com a comunidade e disposição pra radicalizar. As escolas ocupadas – E.E. Castro Alves, E.E. Diadema, E.E. Fernão Dias (Pinheiros), E.E. Heloísa Assumpção (Osasco), E.E. Salvador Allende (Conj. José Bonifácio) e E.E. Valdomiro Silveira (Santo André) – precisam ser rodeadas de solidariedade, atenção e entusiasmo!

No Paraná, o governo do Estado também tentou instituir um projeto de “restruturação”, que fecha turmas e escolas em nome dos cortes de orçamento na educação. Houve mobilizações que fizeram o Estado recuar, mas é possível que os fechamentos de turmas e escolas voltem no ano que vem. A grande mídia já sinalizou que apoiará o fechamento das escolas e pede do Estado um plano mais palátavel*. Se acontecer, já sabemos nossa resposta: OCUPAR PRA NÃO FECHAR!

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AMPLIAR A OCUPAÇÃO DAS ESCOLAS EM SP!

SE FECHAR NO PARANÁ, VAMOS OCUPAR!

NÃO TEM ARREGO!