*A Policia Alemã no Estado Nazista

Extraído na íntegra de: https://www.ushmm.org/wlc/ptbr/article.php?ModuleId=100054

Depois que Hitler se tornou o chanceler da Alemanha, ele persuadiu seu gabinete a declarar estado de emergência e abolir vários direitos individuais. Nesta foto, a polícia revista um veículo em busca de armas. Berlim, Alemanha, 27 de fevereiro de 1933.Depois que Hitler se tornou o chanceler da Alemanha, ele persuadiu seu gabinete a declarar estado de emergência e abolir vários direitos individuais. Nesta foto, a polícia revista um veículo em busca de armas. Berlim, Alemanha, 27 de fevereiro de 1933.

— National Archives and Records Administration, College Park, Md.

Em janeiro de 1933, quando os nazistas assumiram o poder, muitos policiais sentiam-se céticos em relação ao Partido e às suas intenções. O movimento nazista, especialmente nos últimos anos da República de Weimar, havia sido subversivo e violento e a polícia os investigava, assim como aos comunistas, com vigor. No entanto, Hitler passou a disseminar a imagem de defensor da lei e da ordem, alegando que preservaria os valores alemães tradicionais. A polícia, e muitos outros grupos conservadores que ansiavam pela ampliação da autoridade policial através de um estado forte e centralizado, receberam de braços abertos o fim da faccionalidade política partidária e concordaram com a extinção da democracia.

Na verdade, o estado nazista solucionou muitas das frustrações experimentadas pela polícia durante o período da República de Weimar. Os nazistas protegeram a polícia da crítica pública através de censura à imprensa, e deram um fim aos embates de rua ao eliminar o comunismo alemão. A força policial foi reforçada através da incorporação de membros de organizações para-militares nazistas como policiais auxiliares. Os nazistas centralizaram e proveram o financiamento total daquela instituição, para que a polícia pudesse melhor combater as gangues criminosas e promover a segurança do estado. O estado nazista aumentou o número de policiais e melhorou seu treinamento, além de modernizar seus equipamentos. Os nazistas proporcionaram liberdade total aos policiais no que diz respeito a prisões, confinamento e tratamento dos prisioneiros. A polícia passou a realizar “ações preventivas”, ou seja, a realizar prisões sem quaisquer autorizações e sem provas que pudessem justificar um eventual julgamento nos tribunais, e também passaram a poder agir sem qualquer tipo de supervisão do sistema judiciário .

Inicialmente, os policiais conservadores ficaram satisfeitos com os resultados de sua cooperação com o estado nazista. Os crimes haviam diminuído e as ações de gangues criminosas haviam terminado. A ordem fora restaurada, mas havia um preço. O estado nazista não era a restauração da tradição imperial, sua base era completamente racista. Os nazistas assumiram o controle e transformaram as forças policiais tradicionais da República de Weimar em um instrumento de repressão e, eventualmente, de genocídio promovido pelo estado.

O estado nazista uniu a Polícia às SS [Schutzstaffel, i.e. Esquadrão de Proteção] e ao SD (Sicherheitsdienst/SD, i.e. Serviço de Inteligência do Partido Nazista), duas das organizações nazistas mais radicais e ideologicamente engajadas. Heinrich Himmler, chefe das SS, também se tornou o chefe de todas as forças policiais alemãs. Seu colaborador, Reinhard Heydrich, do SD, tornou-se naquela mesma época o líder da Polícia de Segurança, encarregada de proteger o regime nazista. A ideologia nazista era parte de todas as atividades policiais. A polícia desempenhava um papel importante não somente na manutenção da ordem pública, mas também no combate aos supostos inimigos raciais designados pelo estado nazista. Foi nesse contexto que as “ações policiais preventivas” geraram consequências terríveis. Os membros das SS, do SD, e da Polícia foram os principais prepetradores dos horrores do Holocausto.

Ante o nazi/fascismo não existe argumento. Existe o combate

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*Direito à Cidade e Municipalismo Libertário

A cidade que passou ao longo de sua existência a aglutinar o conjunto da população que antes ocupava em maior número o campo, e que buscava uma forma de organização societária de maneira a atender o bem coletivo, foi aos poucos sendo atravessada por uma relação de poder específica, denominada de domínio, que surgiu com a divisão em classes sociais e que implicava que a organização da vida atendia os interesses de uma minoria em detrimento da maioria. Isso permitiu o desenvolvimento do Estado, sendo um instrumento que sempre serviu aos interesses das classes dominantes, disfarçando sua política essencialmente opressora das mais variadas formas.

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A construção da vida em sociedade implica em diferentes posições e ideias que serão disputadas por diferentes grupos e indivíduos – as relações de poder. A divergência e a disputa de ideias não é um problema a ser combatido, mas uma realidade do ser humano. Ocorre que em uma sociedade dividida em classes sociais, permeada por relações de domínio (tipo específico de relação de poder), os interesses das classes dominantes prevalecem contra o bem-estar coletivo, ainda que seja em nome deste.

Desde que as relações de domínio passaram a determinar a relação social e a forma de estruturar a cidade em que vivemos como uma das consequências também houve resistência das camadas que sofrem opressão. Mesmo considerando grupos melhor posicionados dentro da escala de acesso à produção material e cultural da humanidade, a maioria não constrói as políticas de gestão da cidade de maneira satisfatória. Quem tem influência decisiva nesse processo é a camada minoritária da sociedade, que confirma seu projeto de dominação com as políticas executadas pelo Estado, gestor das cidades.

Essa resistência, mesmo que não tenha saído do marco da dominação, garantiu alguns direitos dentro da organização da cidade. As necessidades mais imediatas pautaram a luta dos grupos dominados na disputa pela cidade. Se há exclusão da maioria de certos espaços da classe dominante, existem bloqueios de estradas que reivindicam as mais variadas coisas (saneamento básico, lazer, educação etc.), que podem travar toda a cidade.

Essas lutas imediatas constituem a possibilidade de construção de uma força social capaz de reivindicar a cidade para o conjunto de quem mora nela. Cada disputa de espaço na cidade pelos grupos dominados é um caminho trilhado na luta contra o Estado e por uma cidade para os trabalhadores.

No entanto, um desafio que se coloca é fazer o trabalhador – que está imerso no seu dia a dia, tragado pela rotina trabalho-casa-trabalho – pensar criticamente, para que se interrompa esse boom de projetos de exclusão social, que só geram lucros para o empresário.

Quando paramos e procuramos alternativas para ir de encontro aos problemas que todos sofremos no cotidiano, e se fizermos isso de maneira solidária aos outros setores que sofrem dos reverses provocados pela cidade capitalista, podemos ter uma chance de impedir o sucesso da classe dominante. Por mais difícil que seja, temos uma chance. Parar e aceitar é a certeza da derrota. Nós preferimos tentar. Cada derrota no projeto excludente, cada avanço em termos de mobilidade urbana, cada derrota da especulação imobiliária são vitória daqueles que concebem uma nova forma de se construir a cidade.

Não podemos esquecer que nossos espaços de convivência foram forjados numa sociedade profundamente desigual. Para termos êxito definitivo somente se aliarmos a luta do bairro com a luta por uma nova sociedade. Não esperemos uma nova sociedade para lutar pela melhoria de nosso bairro e de nossa cidade, mas não esquecemos que ela só ganha sentido se encararmos como degraus necessários para construção de outro patamar histórico.

Bookchin e o Municipalismo Libertário

O anarquista norte-americano Murray Bookchin defendia uma nova forma de sociedade baseada na reinvenção da construção dos espaços de convívio, de moradia e de construção de nossa sociabilidade. Chamava de Municipalismo Libertário sua proposta. Trata-se de uma proposta de organização política da cidade baseada na democracia direta em oposição à lógica representativa do Estado que tira da coletividade seu poder de decisão, sempre delegando a uma minoria aliada aos interesses capitalistas ou incapaz de ultrapassar estes interesses.

Na compreensão de Boockin, tornar os sujeitos ativos nas decisões, chamando para si a capacidade de planejar e executar as tarefas do dia a dia da cidade é formar sujeitos críticos que passam a ver que a sua vida depende do bem-estar do coletivo, que suas decisões têm que ir para além do egoísmo individualista para ela mesmo ter sentido. Isso não é possível numa sociedade desigual, por isso o municipalismo libertário concebe o fim das classes sociais e a gestão da cidade pelos seus próprios moradores.

Acreditamos que resgatar essas ideias do municipalismo libertário colabora bastante no atual debate das discussões do direito a cidade e colabora muito na tentativa de se aliar as lutas imediatas a luta por uma nova sociedade. Porém uma crítica ao pensamento de Bookchin é extremamente importante. Para ele a categoria do trabalho está ultrapassada. A luta por uma nova sociedade não passaria pela luta construída pelo local de trabalho, senão apenas pelo local de moradia.

Para nós, anarquistas, o anarquismo sempre esteve junto a organizar os trabalhadores a partir das contradições vivenciadas no local de trabalho. Inclusive foi na militância sindical que os anarquistas tiveram mais expressão social. A desigualdade da sociedade se dá, sobretudo, na distribuição desigual da riqueza material e imaterial produzida pela humanidade. Para reformulá-la de maneira a apontar para uma sociedade sem classe, é necessário mudar a maneira como se trabalha, acabando com a divisão de trabalho manual e trabalho intelectual, e mudando a lógica de como os produtos são produzidos e distribuídos. Isso só se dá no local de trabalho.

O mesmo sentido se dá ao trabalho voltado para a prestação de serviços, como saúde e educação. Para reorganizá-los numa perspectiva igualitária e livre, é preciso reformulá-lo dentro do próprio ambiente de trabalho. Tudo sendo planejado e executado pelo conjunto dos/ das trabalhadores/as. Obviamente que a reorganização desse trabalho deve ser feita em sintonia com as demandas do bairro e da cidade.

Bookchin prossegue, afirmando que a fábrica ao destruir o trabalho artesanal acabou a possibilidade de um trabalho mais positivo, mais próximo das ideias comunitárias. Virou uma padronização dos operários, uma nova fórmula de escravidão.

De fato, o ambiente fabril, estruturado numa sociedade de classes, reproduzirá a desigualdade e é extremamente opressor. No entanto, não podemos desprezar que a seria impossível para sociedade se manter hoje, mesmo em outra perspectiva societária, sem uma produção industrial. Se o capitalismo trouxe a degradação ambiental, desperdício de recursos e exclusão social, a produção fabril nos permite produzir para 7 bilhões de pessoas no mundo. Hoje a distribuição do que é produzido é desigual, mas o fato é que existe produção para todos, mesmo que os produtos não cheguem a atender a necessidade do conjunto, mas apenas de alguns. Não seria possível alcançar essa produção em escala artesanal. Tampouco podemos acreditar, como defende Bookchin, que a tecnologia permitiria livrar a humanidade totalmente do trabalho material.

Para nós, a luta por uma nova sociedade será feita no dia a dia do trabalho e da vida cotidiana. Pensamos uma sociedade federada em locais de moradia e de trabalho. Nisso Bookchin erra e deixa a desejar, não anulando sua belíssima contribuição com a discussão da cidade.

Ficamos nesse ponto com Bakunin, que fala que a humanidade se diferencia dos demais animais pela capacidade do trabalho inteligente e da fala. Somos homens e mulheres porque trabalhamos. Nenhuma mudança social será feita se desprezar esse espaço fundante da humanidade.

A Revolução de Rojava e o Municipalismo Libertário

Existe em uma parte do Oriente Médio uma população dispersa entre alguns países: a população curda. Tem seu direito de soberania popular negado há muito tempo. Durante a guerra civil na Síria e o recente avanço do Estado Islâmico, o povo curdo, que já luta por sua liberdade há décadas, se organizou de maneira inusitada na fronteira da Síria com a Turquia, numa região chamada Rojava. Milícias guerreiras da Unidade de Proteção Popular (YPG/YPJ) travaram combates ferrenhos contra a selvageria ignorante do Estado Islâmico e com seus próprios esforços conseguem o que Estados da região tiveram dificuldade de fazer: barraram o avanço do Estado Islâmico na cidade de Kobani.

Momento único na história recente da humanidade, não pela derrota imposta militarmente, mas, principalmente, por como foi feito isso e o que ocorreu depois. É o que queremos destacar. O protagonismo da mulher, nesse processo, tem sido uma força decisiva. Planejando, cuidando da cidade e participando dos combates aos facínoras do Estado Islâmico. Mulheres que sofrem bem mais com o avanço de ideias ultra machistas e totalitárias e que souberam dar a resposta.

Sobre a orientação do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) se vive uma nova forma de vida nessa localidade, com todas as dificuldades que uma realidade de guerra impõe. Incríveis semelhanças com Barcelona da Guerra Civil espanhola de 1936. O PKK deu uma guinada na sua orientação teórica ao adotar o Municipalismo Libertário como uma das suas orientações para reconstruir sua vida em sociedade. Tem conquistado a população de Kobani. Organização de assembleia por bairros, controle da própria população sobre suas vidas no que se é chamado de Confederalismo Democrático.

Auto declarados anti-estatistas e anti-capitalistas esse movimento tem uma dura tarefa pela frente: combater um inimigo feroz por um lado e reconstruir uma vida social sobre novos parâmetros. Suas ideias, obviamente, não agradam as fossas hegemônicas do Oriente Médio e nem ao sistema capitalista internacional. Nossa solidariedade às mulheres e homens curdos em luta. Eles mostram que um novo mundo é possível.

Transcrito na íntegra de: http://www.anarkismo.net/article/28346

Related Link: https://cazp.wordpress.com

*Com Assassinatos Diários, Cidade nos EUA Vive Experiências de Zonas de Guerra

‘Chiraque’: Violência ganha contornos de guerra em Chicago

O correspondente da BBC Ian Pannell já conheceu muitos locais assolados pela violência. Ele cobriu guerras no Iraque, Afeganistão e Síria. Mas, baseado atualmente em Washington, Estados Unidos, ele não teve que ir muito longe para fazer uma nova reportagem sobre conflitos: Pannell retratou o que está por trás das impressionantes taxas de violência de Chicago, que atingiram o seu patamar mais alto dos últimos 20 anos.

O jornal Chicago Tribune reportou que, no início de setembro, a cidade registrou seu 500º homicídio de 2016, mantendo uma tendência de alta nesse tipo de crime iniciada em 2014, atribuída à guerra entre gangues rivais, à proliferação de armas e à exclusão socioeconômica de parte da população.

Apesar de haver diferenças brutais entre zonas de guerra da Síria e as ruas de bairros como Englewood ou Austin, Pannell diz reconhecer algumas similaridades.

Desde 2001, 7.916 pessoas foram assassinadas em Chicago. A perda de vidas americanas foi maior do que nas guerras do Iraque (4.504) e Afeganistão (2.385) juntas.

Chicago, de 2,7 milhões de habitantes, vive um problema conhecido em metrópoles brasileiras. O Rio de Janeiro teve mais de 39 mil mortes violentas entre 2001 e 2015. No mesmo período, a cidade de São Paulo registrou mais de 34 mil casos de homicídios dolosos, segundo as respectivas Secretarias de Segurança.

Jovens membros de gangue nos Estados UnidosImage caption “Há esse sentimento de falta de alternativas. É como um labirinto  quando você consegue sair está no começo de novo.

Leia o depoimento de Ian Pannell à BBC News:

A guerra vira um meio de vida

“As pessoas vivem sob ameaça ou convivem com elementos de perigo, e apesar de o grau ser completamente diferente, ele tem semelhanças para as populações civis nos dois ambientes.

Então, o que se vê é o seguinte: se você for para zonas de guerra em dias em que nada está acontecendo, tudo pode parecer muito normal.

O que sempre me impressiona – e você pode ver isso tanto em Chicago como na Síria – são as pessoas: elas estarão nas ruas, estarão fazendo compras, mas elas conhecem as regras. Quando a confusão começa, elas recuam imediatamente e todo mundo desaparece.

Alguém em Chicago me disse: ‘o carteiro sabe’. O carteiro não vai àquelas ruas quando há algo acontecendo. E acontece o mesmo em zonas de guerra – as pessoas se adaptam, mas isso tem consequências psicológicas.

As pessoas não desistem. Mas elas convivem com níveis de trauma, perigo e estresse que não são normais, e não é possível lidar com aquele nível de amaça e perigo de forma rotineira sem que aquilo te afete.”

O poder das armas

Ian Pannell (à esq) e CDC Duwop
Image caption“Eu nunca vi tantas armas em mãos civis fora de uma zona de guerra tradicional como eu vi em partes de Chicago”

“Eu nunca vi tantas armas em mãos civis fora de uma zona de guerra tradicional como vi em partes de Chicago.

Eu nunca vi uma prontidão para usar armas fora de uma zona de guerra tradicional como eu vi em áreas da cidade.

Em uma zona de guerra você espera que as pessoas estejam armadas, elas estão prontas para usá-las e há uma grande chance de que elas tenham que usá-las. Em Chicago há garotos que ganharam autoridade pelas armas, eles ganham um status que não teriam se não as possuíssem.

Na Síria há muitos jovens desempregados ou subempregados que se uniram a grupos rebeldes não por acreditar na luta deles, mas para ganhar status. Deram a eles armas, um papel e um significado.

Acontece a mesma coisa em Chicago – acontece a mesma coisa com as gangues.

Impacto nas crianças

“A infância acaba cedo nos dois lugares. As pessoas que perpetram a violência não se importam com isso. Para eles, é um ‘dano colateral’.

Em Chicago, um desses danos colaterais é a menina Tacarra Morgan, que foi baleada no estômago enquanto brincava fora de casa. O mesmo acontece com as crianças que são hospitalizadas na Síria após serem atingidas por disparos ou estilhaços de bombas enquanto brincavam em suas ruas.

As crianças se tornam insensíveis à violência. Uma pessoa é baleada e elas continuam subindo e descendo a rua com suas bicicletas porque estão acostumadas a ver aquilo. O mesmo acontece nas zonas de guerra.

Com o tempo alguém coloca armas nas mãos delas e elas abraçam uma vida de violência. O limiar onde você estaria disposto a pegar uma arma e atirar em alguém é fortemente reduzido.”

Jovens sem saída

CDC DuwopImage caption” Há esse sentimento de falta de alternativas. É como um labirinto  quando você consegue sair está no começo de novo.

“O oeste de Chicago foi a área civil onde eu me senti mais próximo de um ambiente hostil por causa da forma como esses jovens agem.

“Eles trabalham em grupo, todos cautelosos. Eles olham para todas as direções, prestando atenção se algo se aproxima. É o mesmo tipo de comportamento que você vê em um grupo rebelde.

“Os jovens têm que fingir que são homens fortes o tempo todo. Se contam com a oportunidade de falar eles têm mil coisas guardadas em seus corações.

LEIA O ARTIGO NA ÍNTEGRA EM:  http://www.bbc.com/portuguese/internacional-37394879

*A Liberdade de Expressão nos Grupos Mafiomidiáticos

13/09/2016

Saiba como funciona a liberdade de expressão nos grupos mafiomidiáticos

Há na América Latina uma instituição que coordena a atuação das velhas mídias. É a SIP que, por sua vez, tem ligações estreitas com o finanCIAmento de “instituições” norte-americanas. A SIP está por traz, por exemplo, do golpe desferido contra Hugo Chávez, como mostra o documentário “A Revolução não será televisionada”.

Na Argentina o Grupo Clarin, filiado à SIP, parceiro da ditadura militar mais sangrenta de todas as que coincidiram na América Latina, praticou durante anos um jornalismo de guerra contra o casal Kirchner. Foi um seu jornalista, Julio Blanck, editor chefe e colunista político do Clarín, que admitiu que seu jornal praticou um “jornalismo de guerra” contra Cristina Kirchner.

O Instituto Millenium é um dileto filho da SIP. É ele que no Brasil coordena o jornalismo de guerra contra movimentos sociais e partidos de esquerda, ao mesmo tempo em que serve de biombo para toda sorte de corruptos, mormente os que movimento milhões. Como a SIP, os a$$oCIAdos do Instituto Millenium fazem o jogo da NSA, conforme denunciado por Edward Snowden. São quinta coluna, atuam a soldo de interesses externos.

O paradoxo é que, de repente, Abel e Caim não se reconhecem. Clarin boicota a Folha. Acima de tudo, a proteção aos finanCIAdores ideológicos.

FUI CENSURADA PELO “CLARÍN”

Por jloeffler – No dia 12/09/2016

Clarín censura artigo sobre o golpe: “Não queriam que eu falasse em ‘submissão aos EUA’. Recusei”; leia aqui o texto vetado

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Eleonora de Lucena, no Facebook (via Viomundo)*

O jornal argentino me encomendou um artigo sobre o impeachment.
Escrevi e enviei. Pediram para eu “amenizar” trechos.
Especificamente não queriam que eu falasse em “submissão aos EUA”.
Recusei fazer qualquer modificação no texto.
Há duas semanas ele está numa gaveta virtual em Buenos Aires.
Para registro, aí vai o que o “Clarín” não quis publicar.
Um golpe à democracia e à soberania na América Latina
ELEONORA DE LUCENA
O julgamento de Dilma Rousseff atropela a democracia e expõe de maneira crua o embate de interesses antagônicos na América Latina. De um lado, um projeto de integração regional sem submissão aos Estados Unidos; de outro, a volta das conhecidas “relações carnais” com o império do Norte.
O governo de Michel Temer mostra que quer esvaziar o Mercosul. Repetindo ardis usados internamente no país, manobra para golpear essa construção da união sul-americana que vai muito além de acertos comerciais.
De supetão, dá início a uma onda de privatizações, vendendo um naco do pré-sal brasileiro, onde estão valiosas reservas de petróleo. Tenciona desidratar e esquartejar a Petrobras, ícone de uma proposta independente de desenvolvimento e objeto de desejo de companhias estrangeiras.
Temer anuncia cortes em gastos em saúde, educação e previdência. Planeja desmantelar conquistas trabalhistas obtidas desde meados do século 20. Almeja transferir renda dos mais pobres para os mais ricos: projetos sociais serão podados para garantir o pagamento dos juros estratosféricos pagos à elite.
É a reedição de um enredo já desenhado no Paraguai e em Honduras: um golpe sem tanques que corrói as instituições para minar a independência. Num ritual kafkaniano, políticos acusados de corrupção votam a cassação de uma presidente que todos reconhecem ser honesta.
Nos anos 1990, com governos neoliberais, a América Latina experimentou uma combinação de concentração de renda, desindustrialização, privatizações selvagens e perda de soberania. A Argentina viveu com radicalidade esse processo. Nas ruas, o derrotou.
Agora, as mesmas armações daquele tempo tentam ressuscitar no continente. Aproveitam a situação adversa na economia e disseminam um discurso de ódio, preconceito e intolerância. Conquistam, assim, fatias das classes médias, muitas vezes refratárias à ascensão que os mais pobres obtiveram nos últimos anos.
O movimento precisa ser entendido dentro da atual crise capitalista e das mudanças na geopolítica mundial. O capital financeiro busca garantir ganhos na América Latina. Necessita derrubar barreiras de proteção na região — o que é mais viável com governos dóceis, também dispostos a vender ativos a preços baixos.
Enquanto se atolavam na guerra do Iraque e adjacências, os EUA viram a influência da China crescer de forma exponencial no continente sul-americano. O petróleo, os minérios, a água, os mercados internos, as empresas inovadoras — tudo é alvo de interesse externo.
Nesse contexto de disputa é que devem ser analisadas as intenções norte-americanas de instalar bases militares na Argentina — na tríplice fronteira e na Patagônia. O império volta a se preocupar com o que considera o seu eterno quintal.
O impeachment de Dilma é peça chave no xadrez de poder da região. Afastar quem não se submete a interesses dos EUA será uma advertência aos países. O processo, que deixa as instituições brasileiras em farrapos, demonstra, mais uma vez, como a voracidade dos mercados e a força imperial são incapazes de conviver com a democracia.

ELEONORA DE LUCENA, 58, jornalista, é repórter especial da Folha de S. Paulo. Foi editora-executiva do jornal de 2000 a 2010.

*Fonte: http://www.viomundo.com.br/

Fonte: http://jcsgarcia.blogspot.com.br/2016/09/clarin-censura-artigo-sobre-o-golpe-nao.html

Leia na íntegra em: https://fichacorrida.wordpress.com/2016/09/13/saiba-como-funciona-a-liberdade-de-expresso-nos-grupos-mafiomiditicos/

*CONSENSO DE WASHINGTON

 O Consenso de Washington funcionou como um “receituário” das premissas neoliberais na América Latina.

O Consenso de Washington foi a forma como ficou popularmente reconhecido um encontro ocorrido em 1989, na capital dos Estados Unidos. Nesse encontro, realizou-se uma série de recomendações visando ao desenvolvimento e à ampliação do neoliberalismo nos países da América Latina. Essa reunião foi convocada pelo Institute for International Economics, sob o nome de “Latin Americ Adjustment: Howe Much has Happened?”, e envolveu instituições e economistas de perfil neoliberal, além de alguns pensadores e administradores de países latino-americanos.

Em linhas gerais, não foi preconizada nenhuma medida “inédita” durante o Consenso de Washington, que recebeu esse nome do economista John Willianson em função de sua ampla aceitação pelos países da América Latina, exceto, até então, Brasil e Peru. As ideias desse encontro – tidas como um “receituário”, e não como uma imposição – já eram proclamadas pelos governos dos países desenvolvidos, principalmente EUA e Reino Unido, desde as décadas de 1970 e 1980, quando o Neoliberalismo começou a avançar pelo mundo. Além disso, instituições como o FMI e o Banco Mundial já colocavam a cartilha neoliberal como pré-requisito necessário para a concessão de novos empréstimos e cooperação econômica.

O objetivo dos pontos dessa reunião, segundo o próprio John Willianson, era o de “acelerar o desenvolvimento sem piorar a distribuição de renda”. Dessa forma, as recomendações apresentadas giraram em torno de três ideias principais: abertura econômica e comercial, aplicação da economia de mercado e controle fiscal macroeconômico.

Dentre as premissas básicas colocadas no Consenso de Washington, podemos destacar:

a) Disciplina fiscal, em que o Estado deveria cortar gastos e eliminar ou diminuir as suas dívidas, reduzindo custos e funcionários.

b) Reforma fiscal e tributária, em que o governo deveria reformular seus sistemas de arrecadação de impostos a fim de que as empresas pagassem menos tributos.

c) Privatização de empresas estatais, tanto em áreas comerciais quanto nas áreas de infraestrutura, para garantir o predomínio da iniciativa privada em todos os setores.

d) Abertura comercial e econômica dos países, diminuindo o protecionismo e proporcionando uma maior abertura das economias para o investimento estrangeiro.

e) Desregulamentação progressiva do controle econômico e das leis trabalhistas.

Apesar de o Brasil ter sido um dos poucos países que não aceitaram de imediato essas medidas, foi um dos que mais rapidamente as aplicou, em um processo que conheceu o seu ápice ao longo da década de 1990. A principal ação do governo brasileiro nesse sentido foi a implantação da política de privatizações, em que empresas estatais dos ramos de energia, telecomunicações, da mineração e outros foram transferidas para a iniciativa privada.

O Consenso de Washington tornou-se, dessa forma, uma verdadeira “receita de bolo” para a execução das premissas neoliberais em toda a região latino-americana, que acatou as suas ideias principalmente pela pressão e influência exercidas pelo governo dos Estados Unidos e por instituições como o FMI, o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BIRD).

Grupos e movimentos de esquerda e estatistas direcionam frequentes críticas ao consenso, sobretudo por considerarem que as suas ideias teriam sido direcionadas para atender aos interesses norte-americanos em toda América Latina, além de beneficiar as elites locais, favorecendo a concentração de renda nos países da região. Em oposição, esses grupos apontam que a solução para os países do sul seria adotar uma política inversa à preconizada em Washington, com uma maior intervenção do Estado na economia, além da ampliação e fortalecimento das leis trabalhistas.

Charge criticando o Consenso de Washington

EXTRAÍDO NA ÍNTEGRA DE: Consenso de Washington

Em tempo: 
Exceto Fernando Henrique Cardoso, ex-presidentes latino-americanos que foram ícones do neoliberalismo nos anos 90, foram depostos do poder ou foram presos.

*Vacas são Abatidas nos Estados Unidos Para Manter Preço do Leite Alto

Embora a demanda por lácteos nos EUA venha subindo continuamente há quase 40 anos, alguns criadores tentaram limitar a oferta de leite matando suas próprias vacas.

Sim, é exatamente isso. A situação foi revelada em uma ação judicial de classe de caráter nacional contra cooperativas lácteas, grupos de fazendeiros que reúnem sua oferta, mas, no geral, servem de intermediários entre os fazendeiros e as processadoras de lácteos. Nesse caso, os advogados de uma das principais empresas reclamantes alegaram, em nome dos consumidores americanos, que as cooperativas pagaram aos fazendeiros para que transformassem de forma prematura centenas de milhares de vacas em hambúrgueres em um esquema amplo que teve o objetivo de elevar os preços dos lácteos.

Os réus fecharam um acordo de US$ 52 milhões nesta semana, uma gota no oceano para um setor tão grande. Mas a ação antitruste lança luz sobre um setor altamente complexo da economia agrícola dos EUA — no qual parte das leis da macroeconomia nem sempre parece ser aplicada.

REBANHO

O “programa de aposentadoria do rebanho”, como era chamado, foi liderado pela Cooperatives Working Together, administrada pela Federação Nacional de Produtores de Leite dos EUA, e respaldado pelas fazendas que produzem quase 70% do leite do país. Entre as cooperativas processadas individualmente estão a Dairy Farmers of America, a Land O’Lakes, a Dairylea Cooperative e a Agri-Mark.

Os consumidores afirmaram que entre 2003 e 2010 as cooperativas pagaram preços acima do mercado por vacas leiteiras de propriedade de fazendeiros membros e as enviaram para o abate antes do tempo normal. Reduza a oferta e o preço subirá, certo? Mas a situação ficou esquisita se observado o desempenho do setor. O governo dos EUA afirma que o consumo global de lácteos do país passou de 244 quilos por pessoa por ano em 1975 para 284 quilos em 2015 (embora as vendas de leite líquido tenham caído vertiginosamente). E então, por que é preciso elevar os preços se as pessoas consomem cada vez mais iogurte grego?

As cooperativas que são rés, como mencionamos, são compostas de produtores de lácteos de pequeno e grande porte. Os fazendeiros vendem seu leite por meio das cooperativas para grandes processadoras de lácteos (que fazem o seu iogurte favorito), que por sua vez vendem sua produção às empresas varejistas (o supermercado mais próximo). Gary Genske, tesoureiro da Organização Nacional de Produtores de Lácteos dos EUA, diz que as processadoras muitas vezes exigem mais leite das cooperativas do que realmente precisam, criando um excedente e derrubando o preço global dos lácteos (o que, é claro, beneficia as processadoras e prejudica os fazendeiros). “Temos muito produto na comparação com o que o mercado quer”, disse Genske.

Por isso — segundo a queixa aberta há cinco anos no tribunal federal de São Francisco — as cooperativas criaram uma forma de combater o excesso e elevar os preços: matar centenas de milhares de vacas. Aparentemente, essa iniciativa de execução bovina atingiu seu objetivo: de 2004 a 2008, os preços dos produtores subiram US$ 0,66 por 100 libras (45,3 quilos) de leite, segundo uma análise do dr. Scott Brown, da Universidade de Missouri-Columbia, para grupos de cooperativas.

As cooperativas rés não admitem, nem negam irregularidades ligadas ao acordo. Mas a Federação Nacional de Produtores de Leite chamou o acordo de “a linha de ação mais sensata e responsável”. (A Dairy Farmers of America, a Dairylea Cooperative e a Agri-Mark não responderam a um pedido de comentário. A Land O’Lakes encaminhou as perguntas da Bloomberg à federação do setor).

(Deena Shanker – Bloomberg)

Isso se chama “economia de mercado”

*Frase nossa.

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