*Trabalho escravo infantil no sudeste da Ásia: O CASO DA NIKE

Extraído na íntegra de: http://pedrothiagogeografia.blogspot.com.br/2013/04/exploracao-do-trabalho-escravo-infantil.html

Trabalho escravo infantil no sudeste da Ásia: O CASO DA NIKE.

O processo geopolítico e econômico de reorganização mundial que vivemos hoje, chamado genericamente de globalização, caracteriza-se pela abertura das fronteiras econômicas. A velocidade dos meios de comunicação e transporte possibilita um intercâmbio de ideias e mercadorias com uma rapidez jamais conhecida na história do homem.

As grande empresas – os oligopólios ou as transnacionais – suprem as suas necessidades de mão-de-obra e matérias-primas em todo o planeta. Instalam-se fábricas, entrepostos de comércio e centro financeiros em todos os países. Isso possibilitou a produção de mercadorias em maior escala com custo mais baixo, valendo-se da difusão da tecnologia. O resultado é o mais fácil acesso aos bens de consumo. Tudo ficou mais simples, mais barato e abundante. Em termos de trocas de mercadorias e de ideias, vivemos em um só mundo.
O resultado mais visível é a “democratização” do consumo. As lojas brasileiras são um belo exemplo, com milhares de produtos MADE IN CHINA e de outros Tigres Asiáticos. Podemos comprar praticamente em qualquer esquina, de fraldas descartáveis a caviar. Essa é a definição “positiva” do processo globalizador.

Porém, mesmo deixando de lado a pergunta que pouca gente faz – Será que precisamos disso? -, há outros aspectos importantes: por que as empresas transnacionais instalam suas fábricas na Tailândia, na Indonésia, Em Taiwan, no Camboja, em Cingapura, na Malásia, na Coréia do sul ou em Hong Kong? A resposta é simples e encontra-se em qualquer caderno de economia dos jornais brasileiros: nesses países, a mão-de-obra é barata e as matérias-primas custam pouco.

Na Indonésia, por exemplo, excetuando-se a pequena elite que ganha bem, o salário médio da maioria dos operários é de US$21,00  MENSAIS. Os Tigres Asiáticos ainda oferecem a “vantagem” da inexistência de uma legislação trabalhista mais rígida, que garanta direitos básicos dos trabalhadores, como indenização, seguro-saúde, férias, 13º salário e aposentadoria, que são comuns no Ocidente, inclusive nos países subdesenvolvidos, a periferia do capitalismo central, onde o Brasil se situa.
Por que grande parte dos trabalhadores aceita US$ 21,00 mensais? Por que eles têm poucos direitos trabalhistas?
As respostas são complexas, mas podem ser resumidas. A maioria dos países asiáticos enfrentava desemprego crônico, corrupção endêmica e, não menos importante, trabalho escravo e prostituição infantil.
Por exemplo: a maior vendedoras de artigos esportivos para o mundo é a Nike, que terceiriza toda a produção. A Nike encomenda bola em fabricas situadas nos países onde a mão-de-obra é mais barata. Em alguns desses países, como na Indonésia, as bolas eram fabricadas por crianças a partir de 6 anos, trabalhando em locais perigosos e insalubres. Como denunciaram a OIT e a Unicef, era trabalho escravo, “feito por mãos pequenas, capazes de darem pontos minúsculos”. segundo a Unicef, em 1993, na Tailândia, para as crianças não fugirem, um fabricante manteve trancado o galpão onde elas trabalhavam. O galpão incendiou e morreram duzentas pessoas, a maioria crianças.
O Paquistão é um dos maiores produtores de bolas do mundo. Uma família com quatro costuradores consegue costurar, em média, 80 bolas mensalmente, a US$ 1,20 cada, possibilitando uma “renda” de US$ 96,00. No Vietnã, onde as transnacionais também encomendam bolas, o salário médio dos costuradores é de US$ 32,00 mensais. Uma pesquisa da Toy Manufacturers of América e da Unicef constatou que 90% dos brinquedos oriundos da Ásia são fabricados por mão de obra infantil, ocupando às vezes crianças de 5 anos. Na Tailândia, uma fábrica chegou a ter noventa trabalhadores infantis escravos.
No Brasil, a grande fabricantes de bolas é a Penalty. Aqui se paga mais do que na Ásia. Os costureiros de bola geralmente  são presidiários, que recebem em torno de R$ 240,00 por mês.
A questão Nike

No caso da Nike, os trabalhadores que são pagos um dólar por dia, se queixam de ter de limpar as instalações que funcionam em torno da fábrica como punição por atrasos. Mas o que é mais chocante submissão sexual a que os trabalhadores são obrigados pelos patrões. 85% dos funcionários são mulheres com uma média de idade abaixo de 23 anos. Além disso, os funcionários de nove unidades de produção são obrigados a trabalhar mais horas que o permitido por lei e sem acesso a cuidados médicos.

A Nike lidera o mercado para a indústria de calçados esportivos e chegou a dominar 37 por cento dele. A transnacional gasta mais de um bilhão de dólares por ano em publicidade e o salário mensal de seus executivos e estrelas (Phil Knight afirma que mais de 75 milhões de dólares por ano e Michael Johnson mais de 20) pode pagar milhares de salários anuais dos trabalhadores escravos do sudeste asiático. Em 1999, a empresa teve um faturamento de mais de 10 bilhões de dólares. Um funcionário da Nike teria de trabalhar dois ou três meses para comprar um par de sapatos que ela faz, ou 98.600 anos para chegar ao lucro anual.
A Nike tem custo mínimo na produção de seus produtos o que permite um excessivo gasto em marketing e pesquisa de mercado. A revolução que a Nike criou no mercado, funciona de uma forma insana, se paramos para pensar. Além de propaganda gratuita em seus produtos, eles conseguiram convencer milhões de pessoas que é de extremo bom gosto exibir seu logotipo, convencendo até os mais novos que é necessário, essencial para sua vida ter uma marca dessa empresa e assim ser aceito por outros de sua idade.
Essas imagens entram em nosso subconsciente sem percebermos, e quando temos que escolher um calçado ou acessório escolhemos os símbolos familiarizados como que por instinto. A fórmula do sucesso da Nike é muito simples: produzir acessórios de qualidade a baixo custo.
Como isso e possível?
Explorando milhões de pessoas miseráveis nos países onde a situação econômica e mais crítica, onde podem fazer seus operários trabalharem 12 horas por dia ganhando menos de 30 centavos por dia. A Nike tem fábricas ao redor do mundo, especialmente em países subdesenvolvidos, onde as leis são escassas e onde os direitos humanos não são respeitados. A fábrica da Indonésia emprega trabalhadores menores de idade, crianças de 12,13 anos trabalham turnos de 12 horas em condições tão horríveis que seria difícil achar algo parecido em nosso país. Justificativas poderiam ser apresentadas se a companhia fosse uma pequena empresa local, mas estamos falando de um dos maiores impérios do mundo. A custa de mães solteiras que em um país pobre e islâmico, não conseguem encontrar um trabalho digno para alimentar seus filhos, sendo assim devem se submeter a uma vida de semiescravidão. Quando ativistas a favor dos direitos humanos começaram a investigar os estabelecimentos da Nike na Indonésia, não podiam acreditar em que seus olhos viam, além da vida de semiescravidão de seus operários, ainda são forçados a trabalhar com produtos químicos altamente tóxicos e sem nenhuma proteção.
Essa fábrica se transformou em um alvo para ativistas a favor dos direitos humanos ao redor do mundo. A Nike tem fábricas nos países mais miseráveis do mundo, onde lhes garante mão-de-obra barata e sem ter que cumprir nenhum dos deveres de um empregador de um país desenvolvido.
Bolas de Futebol da Nike são feitas em pequenos quartos sem janelas, por velhos jovens e crianças sentados no chão de cimento em pequenas aldeias do Afeganistão.
Tênis da Nike vem de suas putrificas fabricas no Vietnã, Indonésia Camboja e China.
Vale salientar que a Nike é só um exemplo. Essa situação de trabalho escravo infantil se aplica a outras marcas do milionário mercado (explorador) esportivo, tais como Adidas, Puma, Mizuno, All Star (Nike), etc. e inclusive empresas brasileiras como a gaúcha Penalty, que tem bolas fabricadas no Paquistão. Se duvidam, peguem seus tênis, bolas, camisas dessas marcas e observem a etiqueta. Se tive um “Made in…” com países do sudeste asiático, provavelmente você está consumindo um produto feito por mãos semiescravas, e o pior: grande possibilidade ser uma criança.
ISSO É GLOBALIZAÇÃO, ISSO É CAPITALISMO!!!
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