*Discurso Dialetico Entre Um Humano e Um Mosquito – Por villorblue

Onde seria a morada do aedes egipit?
Naquela manhã, acordara com esta pergunta.
Estava curioso, porque tentamos (em vão), combater a multiplicação da popular fêmea do pernilongo, ou muriçoca como em algumas regiões ela é conhecida.
Estava chegando a seguinte conclusão; que esta guerra jamais teria seres humanos como vencedores.
De súbito tive uma idéia, me armei com o meu MP7, instalei no MP7 um software tradutor da linguagem dos mosquitos, (este freeware é facilmente baixado nos sites de downloads hoje em dia) e fui a campo.

Se alguem imagina que foi difícil encontrar um aedes por aqui, ledo engano, não demorou quinze minutos, há uns trezentos metros de onde eu resido, encontrei meu primeiro exemplar, uma bela fêmea da espécie.
Fiz sinal para que ela parasse, ela atendeu com uma condição. Eu teria que ser breve. Prometendo ser o mais sintético possível, começou a entrevista.
Eu: Seu nome?
Ela: Aedelina Ahcor.
Eu: Natural?
Ela: Brasil.
Eu: Idade?
Ela: Duas semanas de idade, sou uma jovem, (disse ela colocando as mãos na cintura).
Eu: O que você pensa sobre estas campanhas milionárias, que andam circulando na grand mídia, sobre a dengue?
(Fiz a pergunta pensando: Tem ocasiões que não devemos fazer certas perguntas, mais já era tarde).
Ela: O que eu penso… Disse ela muito irritada, contou ate dez, se acalmou, foi falando. Você pensa que é fácil a nossa vida?
Quando não estamos fugindo das tapas nos ouvidos e aérosois, fugimos do fumacê.
Isso La é vida?
Eu: Convenhamos… Distribuir doenças milenares por aí. Você queria o que?
Ela: Você esta enganado sobre este assunto, nós não distribuímos nada, a milhões de anos, bebemos um pouco de sangue para reproduzirmos, isso é excitante para nós. Mexe com os nossos hormônios, não temos culpa se a pele humana é tão frágil, tão penetrante, por isso os procuramos. Ademais (continuou), tem algo horrível nesta historia. De uns quinhentos anos até hoje, começaram a aparecer uns caras esquisitos, primeiro com um tal de escorbuto, depois sífilis, tuberculose, dengue, febre amarela, hoje vivemos numa verdadeira neura. Não sabemos se o fornecedor é saudável ou não. Quando acontece de picarmos alguém doente, perdemos créditos perante a comunidade.
Dito isso, começou a vibrar as asas, pediu desculpas, disse que precisava encontrar um velho pneu com água transparente para botar uns ovos, saiu.

Dois minutos de reportagem para mim era pouco. Resolvi encontrar outro aedes que estivesse disposto a falar.
Não demorou, avistei outro representante da espécie, mais tranquilo, (era um valete aedes), aceitou conversar com calma.
Pasmei, colocou-me a par de coisas que eu não imaginava, começou falando que no ultimo Fórum Internacional dos Animais Hematófagos, (piolhos, moscas, mosquitos, carrapatos, sanguessugas, algumas espécies de morcegos, políticos), foi consenso a emissão de uma carta aberta, protestando quanto a qualidade dos alimentos. É uma quantidade tão grande de sangue tóxico. Para se alimentar eles tinham que se arriscar, não havia tempo para procurar sangues bons. Assim fica difícil (continuava ele), pois nossa alimentação acontece de forma sorrateira e rápida, onde não há tempo para muita analise, convivemos com este drama a mais de quinhentos anos.
Antigamente havíamos de nos preocupar apenas com as libélulas, suas larvas se alimentavam das nossas larvas, nos rios, nos lagos, nas águas de enchente empossadas nos lajedos. Quando no ar, havia os beija-flores, alguns pássaros, por isso nossa população não crescia, se controlava.
Quando ele citou a libélula, me deu um start. Agradeci os momentos tomados, ele foi em direção a outra fêmea que passava, eu sai em busca de um exemplar de libélula.

A libélula é um inseto da ordem odonata, as famílias são varias; coenagrionidae, libellulidae, aeshnidae, perilestidae, protoneuridae, etc.
Após milhares de quilômetros percorridos e meses gastos na procura, encontrei uma libelula.
Encontrei esta espécie numa plantation de soja em Mato Grosso.
Eu: Seu nome?
Ela: Argia Modesta Selys.
Eu: Seu habitat?
Ela: Normalmente algumas áreas da região sudeste e nordeste.
Eu: O que você faz aqui, tão distante do teu local de origem?
Ela: Vim atrás do mel das flores melíferas da planta de soja, uma delicia. Contou isso acrescentando que não andava muito bem de saúde ultimamente.
Eu: Por quê?
Ela: Depois que passei a me alimentar deste mel, meu fígado passou a doer intensamente. Completando ela ainda disse, todas minhas irmãs sentem esta dor horrível, e morrem muito rápido.
Eu: Vocês consultaram um especialista para ver o que esta acontecendo?
Ela: Fomos… Ninguém sabe a causa, a única certeza é que este mel é muito gostoso, e para alegria maior, não é apenas a flor da soja que nos fornece este Manah, as clotárias em geral têm este dom.
Dito isso, ela estremeceu, deu três suspiros, morreu.
Fiquei sem saber como agir, porem como se tratava de um inseto, deixei-a no lugar do seu ultimo suspiro, e voltei para casa.

Dias depois, já em casa, uma pergunta martelava meu pensamento, como a batida de um martelo numa bigorna.
Consultei minha pitonisa digital. No pesquisar, descobri que as flores da clotária são geralmente melíferas, seu mel é rico em alcalóides, quando ingeridos numa quantidade maior, os alcalóides atacam e destroem o fígado dos animais que o ingerem.
Constatei que, as regiões mais atingidas pelos surtos de dengue, eram as regiões sudeste e nordeste. Coincidência ou não, nestas regiões, as libélulas estão em fase de extinção, inclusive com varias espécies já extintas.

Tese: A flora e a fauna brasileira têm cada nome bonito.
Antítese: A saúde no Brasil vai bem obrigado.
Síntese: A monocultura da soja, um dia, ainda acaba com o Brasil(eiro).

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