*Tropo de Litro “sobre a criminalização da pobreza – por villorblue

Crianças Indianas

Crianças indianas (irmãos) trabalhando em uma pedreira a troco de um salario de 10 dólares por mês…

http://www.anovademocracia.com.br/no-53/2191-a-india-que-nao-e-mostrada-nas-telas

O filme Tropa de elite 1 e 2, ou qualquer outro sequencial da saga, remete-nos a algumas analises; ao contrario de modestamente pensar o paradigma da (in)segurança contemporânea.

Capitão Nascimento seria o nascimento de um novo herói . Divirjo do significado recorrente, (divulgado e aceito), do conceito “herói”. Heróis não objetivam analisar e erradicar em seu cerne determinados problemas. Eles existem com um único objetivo, sedimentar um arquétipo maldito. Este arquétipo tem como meta, vigiar, punir, domar ou submeter, ou até mesmo aniquilar. Por este motivo, heróis agem instintivamente. O mito de Hércules e seus doze trabalhos, paira sobre nosso pensamento até os dias atuais. Paradoxalmente, todos carregamos nossos modelos de heróis específicos. Se pensássemos melhor, entenderíamos que a violência urbana não se trata de caso de policia, a policia apenas empurra a violência, expulsa para fora de seus domínios ou cercanias, por isso existem as fronteiras e fronteiras nada mais são que cercas. Cidade limpa é cidade policiada. Policia eficiente é policia incorruptível. Diriam-nos os menos avisados. Quantas vezes pegamos estas frases soltas no ar ? Ditas com propósitos específicos, ou por falta de conhecimento, deixando-nos a noção, que policia é sinônimo de “profilaxia étnica”. Violência existe por alguns motivos que não o de (in)segurança apenas, policia é apenas um aparato do estado, um mecanismo de força. Geralmente não têm muito o que fazer enquanto o crime é cíclico e dinâmico.

A violência:

Sendo que: “Pobreza é a promotora da violência”. -Como nos dizem alguns-. E…“Violência gera violência”. -Como nos dizem outros-. Temos então… “A pobreza gerando a violência”. Porém, “Se ao estado cabe promover a riqueza” e (por incapacidade) o estado “promove a pobreza”. “Então, temos o estado gerando a violência”. Por consequência, a violência é criada e completamente controlável, porque seu núcleo esta no estado, gerada por ele. Simples não ? Vamos levar o pensamento de outra forma. Pensando na seguinte afirmação que nos é imposta desde a mais tenra idade: “O estado seria o patrocinador de todos os cidadãos”. Assim, caberia ao estado, a promoção e elevação do ser humano à sua condição social idealizada. O sonho de consumo máximo, é um ideal inatingível a todos, (não existe ouro, diamantes, Ferrari’s, iates, mansões, rolex’s e mulheres fisicamente padronizadas, como objeto de consumo para todos, neste ultimo caso o inverso também é um fato).

E se existisse?

Se existisse não seria sonho de consumo. Seriam apenas objetos simples, tangíveis. Neste ponto está a grande sacada do sistema de consumo, criar objetos inalcançáveis para a maioria e é este sonho, ou desejo de alcançar o inalcançável, o produtor das neuroses. Assim Freud ligou a raiz etiológica de todas as neuroses, aos desejos recaldados na infância, isto é, desejos anteriores.

Para banir a violência:

Violência apenas será banida completamente, quando: *Eliminarmos do nosso ‘dicionario’ as palavras; sonho, desejo, possessão, pré-conceitos, sociedade de consumo, exploração (do homem pelo homem, de animais, ou da natureza para fins de acumulo) e outras. Eliminar do ‘dicionario’ é apenas uma metáfora, sabemos que o problema é muito complexo, muito além da eliminação léxica de algum substantivo. Patrocinarmos às crianças, adolescentes e jovens; um futuro digno. Futuro onde todos possamos ter conforto, alegria, saúde, cultura, alimentação descente, educação focada para a elevação intelectual de todos, lazer de qualidade. Onde possamos confiar nos outros seres humanos numa verdadeira comunhão fraterna, enfim, que exista luz no fim do túnel, ou certeza de um amanhã, resumindo uma sociedade igualitária. Isso apenas será possível, quando extirparmos do meio humano o capitalismo e seu sistema de produção e dominação. Alguém acredita que isso é possível dentro deste estado de coisas atuais ? Alguns diriam. O Brasil é um país do terceiro mundo, violência é tipica do terceiro mundo. E países considerados do primeiro mundo? Como explicar o alto nível de violência ? Dependendo de cada pais, constroem-se a ideia de desejos em maior ou menor grau.

Os números:

Absurdo são os números no Brasil. No pais as policias militares estaduais somam quase 450.000 funcionários, as forças armadas perto a 320.000, a policia civil próximo a 105.000 e quase 15.000 policiais federais. A este numero soma-se 431.000 de vigilantes privados (braço particular de apoio a forças de segurança), os vigilantes privados contam ainda com 1.100.000 elementos inativos cadastrados. Força inativa esta, apta a entrar em ação a qualquer necessidade, dependendo da contingencia, estes números são próximos. Não foram inclusos os funcionários do sistema judiciário e carcerário, os funcionários das forças armadas aposentados e os bombeiros. Como vemos, se violência fosse apenas uma questão de segurança publica, teríamos tudo equacionado, com a correta gestão desta gigantesca guarnição heterogênea, teríamos algo igual a um agente publico/privado para grupo de cem pessoas em media. Fico imaginando, se tivéssemos uma proporção desta para os profissionais da medicina, ou da educação. Viveríamos um paraíso! Porém, não trata de termos um aparato (grupo) de segurança de conduta proba, como querem mostrar com o filme tropa de elite e outras mídias batendo constantemente nesta tecla. Como não podemos deixar de dispor da policia nesta conjuntura, que ela seja investigativa, que deixe para traz todos os ranços do passado, que seja técnica e cientifica e não apenas honesta, que venha em direção a proteção da população carente e não ao contrario, que não criminalize a pobreza. Isso seria de imediato, agora.

Alguns nos dizem, tem que haver policia na rua, ou ainda, policia boa é policia que mata.

Policiais subservientes e “incorruptos” (Será ? E as obras de arte expropriadas da Europa e até hoje não encontradas ?) serviam ao estado nazista, (gestapo) e todos nós sabemos a quais vias eram canalizadas a policia nazista. Extermínio étnico.

Pobre não é criminoso.

Favela é uma condição humana passível de ter sua realidade transformada, seus moradores não podem ser (de forma alguma) segregados, queimados em incêndios, ou cercados com muros de qualquer especie, expulsos de suas terras por direito.

Triste realidade:

O filme tropa de elite é um campeão de bilheteria, este filme tenta construir a imagem de uma policia boa porque mata e humana porque tem conflitos íntimos. http://stoa.usp.br/zecolmeia/weblog/51243.html Um dos comandantes da PM, é articulista de jornais como JB e O Globo, jornais de grande tiragem, (fonte jornal A Nova Democracia/ago 2009) . http://www.anovademocracia.com.br/no-54

Constatação; 

No Rio um dos brinquedos para crianças mais vendidos ultimamente, é uma mini copia do caveirão. O pensamento deste sistema nojento é este: Desde a mais tenra idade, doutrinaremos as crianças para aceitar a repressão à pobreza, como consequência, ao crescer estarão predispostas a assimilar o fascismo com naturalidade, a criminalização da pobreza e a banalização da violência passam a ser construídas ao longo do tempo.

——X——

Antagonicamente, adultos e crianças ficam na linha de fogo das ações desastrosas.

—–X—–

A relação do titulo com o texto:

Coloquei as palavras, criminalização da pobreza, drogas, falta de educação, sublimação da truculência, banalização da violência, autos de resistência, descrença no porvir e outras tantas, dentro de um litro e fechei com uma rolha, ou melhor um tropo.

—–X—–

Hoje é dia das crianças…E daí ? Não existe dia das crianças na periferia…

Frases extraídas do RAP  “12 de outubro” do Grupo Facção Central.

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